Quanto custa colocar um bloco de carnaval na rua em São Paulo?

  • 07/02/2026
(Foto: Reprodução)
Alessandra Negrini no bloco Baixo Augusta ROBERTO SUNGI/ATO PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO Colocar um bloco de carnaval na rua em São Paulo pode custar desde R$ 5 mil até mais de R$ 700 mil. A diferença não está apenas no número de foliões, mas no tipo de carnaval que o bloco representa, na forma de organização e na estrutura exigida para garantir segurança, som e conforto durante o desfile. “São Paulo não tem um carnaval só. São vários carnavais acontecendo ao mesmo tempo”, explica Zé Cury, coordenador do Fórum de Blocos do Carnaval de Rua. Segundo ele, é justamente essa diversidade que torna impossível fixar um preço padrão para um desfile. Um bloco pode custar pouco se for pequeno, comunitário e simples ou se tornar caríssimo à medida que cresce, se profissionaliza e precisa atender às exigências de segurança e infraestrutura, conta Cury. Ou seja, em São Paulo, o preço do carnaval acompanha a diversidade da cidade. “O carnaval começa com amigos tocando na rua. Mas, quando cresce, vêm a corda, o banheiro, a ambulância, o caminhão, a segurança. Aí a conta muda”, diz. SP terá 630 blocos de rua no Carnaval 2026 Em 2026, a gestão Ricardo Nunes (MDB) reduziu em R$ 12 milhões o orçamento destinado à estrutura e à organização do carnaval de rua da cidade, que ficou em R$ 30,2 milhões — uma redução de 29%. Em 2025, a prefeitura investiu R$ 42,5 milhões na infraestrutura do carnaval, com patrocínio de R$ 27,8 milhões da Ambev. LEIA TAMBÉM: SP terá ônibus e metrô com operação especial no carnaval; veja o que muda Saiba quem NÃO pode ser jurado no carnaval de SP 'Manual de sobrevivência' do carnaval em SP: veja dicas de segurança e saúde Para esta reportagem, o g1 dividiu os blocos em cinco tipos que coexistem na cidade. Confira a seguir: Blocos na quebrada Custo médio: de R$ 5 mil a R$ 25 mil Esses blocos surgem nas bordas da cidade e têm forte vínculo com o território. Muitos existem há décadas e desfilam para públicos de 500 a 2.000 pessoas, principalmente em bairros das zonas Norte, Leste e Sul. A estrutura costuma ser simples: paredão de som ou caminhonete com equipamento na caçamba; músicos voluntários ou bateria da própria comunidade; poucos custos com cachês. “Às vezes é o mesmo caminhão que durante o ano faz propaganda de açougue ou mercado e, no carnaval, leva uma bandinha em cima”, explica Cury. Mesmo assim, gastos mínimos são inevitáveis: isolamento do equipamento com corda, água e alimentação para a bateria e, em alguns casos, ambulância. Quando a comunidade decide melhorar o desfile, o valor pode chegar a R$ 20 mil ou R$ 25 mil. Blocos da classe média Bloco do Paulicéia, que desfila na Zona Norte de SP Divulgação Custo médio: de R$ 15 mil a R$ 40 mil São blocos criados nos últimos 10 a 12 anos por moradores que passaram a ocupar as ruas dos próprios bairros. Geralmente desfilam para públicos entre 3.000 e 10 mil pessoas. Aqui, o custo cresce porque entram itens como: aluguel de caminhão de som; pagamento de músicos ou banda; técnicos de som; alimentação e hidratação da bateria. “Um grupo de amigos pode fazer um bloco gastando R$ 15 mil, dividindo o valor entre eles”, diz Cury. A diferença está na qualidade da entrega: som melhor, desfile mais longo e maior estrutura de apoio. Criado há nove anos na Parada Inglesa, o Bloco do Paulicéia é um exemplo de bloco de classe média com forte vínculo comunitário. O público varia entre 5 mil e 7 mil pessoas, e o grupo promove ações sociais ao longo do ano, como arrecadação de alimentos. “No começo, a ideia era monetizar, mas acabou se tornando totalmente comunitário. O pessoal do bairro é muito engajado”, diz Alex Coelho, fundador do bloco. Segundo ele, o custo para colocar o bloco na rua, com bateria, músicos, som e estrutura de segurança, gira em torno de R$ 20 mil. Segundo a prefeitura, o bloco vai para a rua neste domingo (8), no Tucuruvi, Zona Norte, a partir das 13h. Blocos urbanos e empreendedores Cortejo do Bloco do Fuá, pelas ruas do bairro Bela Vista, em São Paulo WAGNER ORIGENES/ATO PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO Custo médio: de R$ 25 mil a R$ 70 mil Esses blocos surgiram quando jovens aprenderam a batucar, gostaram da experiência e decidiram criar seus próprios desfiles, muitas vezes homenageando artistas ou estilos musicais. Mesmo sem ser “blocões”, alguns acabam atraindo públicos maiores por causa da localização. “Às vezes o bloco começa com 10 mil pessoas, mas termina com 40 mil porque outros blocos passam pelo mesmo trajeto”, diz Cury. Segundo Marco Ribeiro, fundador do bloco Fuá, que desfila desde 2013 na região do Bixiga, no Centro, com o propósito de celebrar a cultura popular brasileira, o custo anual do bloco gira em torno de R$ 50 mil, sendo o aluguel do carro de som o principal gasto. Para se manter, o grupo promove festas ao longo do ano. "O bloco faz oficinas o ano todo com a comunidade, para quem não sabe tocar, de canto e tudo mais. E a gente não recebe nada em troca disso, fazendo uma festa gratuita", afirma. Nesse cenário, o organizador precisa investir como se fosse um bloco grande: caminhão de som de maior porte; dezenas de cordeiros para isolamento; ambulância, produção e segurança. “Eu gasto R$ 25 mil rachando o caminhão com outro bloco. Se fosse sozinho, seria R$ 50 mil”, afirma Zé Cury, que também é um dos fundadores do bloco “Me Lembra Que Eu Vou", que vai sair às ruas no dia 16 de fevereiro, em Pinheiros, Zona Oeste. Segundo a prefeitura, o bloco Fuá vai para a rua no dia 15 de fevereiro, no Bixiga, a partir das 14h. Blocos ritualísticos Custo variável, com foco em qualidade e continuidade São blocos ligados a tradições culturais, religiosas ou projetos sociais permanentes. Muitos mantêm oficinas, formação musical e geração de renda ao longo do ano. Nesses casos, o investimento não é apenas no desfile, mas na qualidade da experiência para os músicos e para o público. “O bloco precisa parecer grande, mesmo sem ser um mega bloco”, diz Cury. O custo cresce conforme o público passa da faixa de 10 mil a 30 mil pessoas, quando passam a ser obrigatórios caminhão robusto, isolamento, técnicos e equipe de produção. Blocos de grande porte Bloco Tarado Ni Você leva multidão ao Centro de SP Darlan Helder/g1 Custo médio: de R$ 250 mil a R$ 700 mil (ou mais) São os blocos com dezenas ou centenas de milhares de foliões, presença de artistas conhecidos e estrutura comparável à de grandes eventos. O custo inclui: dois ou três trios elétricos com som interligado; cachês artísticos; empresas de segurança; ambulâncias próprias; equipes de produção que podem chegar a 70 pessoas. “Para o Baixo Augusta desfilar, o gasto passa de R$ 700 mil”, afirma Cury. Mesmo com apoio da prefeitura — com postos médicos e policiamento —, grande parte da conta fica com os produtores e patrocinadores. Segundo Rodrigo Guima, um dos fundadores do bloco Tarado Ni Você, que reúne mais de 100 mil pessoas no carnaval em São Paulo, o custo para colocar o bloco na rua é de cerca de R$ 400 mil. "Nossa planilha é de R$ 400mil, com cachês de fornecedores negociados a menos, sem que os fundadores ganhem um real pelos seis meses dedicados de trabalho, ou que o bloco faça algum tipo de caixa", afirma. "Se formos contabilizar cachês melhores e fundo de caixa para o bloco, aí seria muito mais. Esse é o valor de custo para pagamento de fornecedores com o piso de categoria." Além disso, independentemente do tipo de bloco, a exigência de segurança aumentou nos últimos anos. Planos detalhados, brigada de incêndio, isolamento, ambulância e documentação técnica do caminhão são obrigatórios. “Quanto mais serviço você entrega, mais custa. Esta é a lógica”, resume Cury.

FONTE: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/carnaval/2026/noticia/2026/02/07/quanto-custa-colocar-um-bloco-de-carnaval-na-rua-em-sao-paulo.ghtml


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