Quem está ganhando a guerra? Conflito entre Rússia e Ucrânia completa 4 anos; impasse sobre acordo de paz continua

  • 24/02/2026
(Foto: Reprodução)
Bombeiros combatem incêndio após um drone atingir prédio residencial durante ataque aéreo russo em Kiev, Ucrânia, no domingo, 22 de fevereiro de 2026 AP Photo/Sergei Grits "Vitória de Pirro" é uma expressão usada para se referir a uma conquista que vem a um preço tão alto, mas tão alto, que de pouco ou nada serve sair vencedor. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Para analistas da Guerra da Ucrânia, no entanto, dizer que a Rússia estaria obtendo uma vitória de Pirro seria um exagero – isso porque, apesar de ter obtido pequenos avanços sobre o inimigo, o custo humano, econômico e geopolítico imposto a Moscou é tão alto que eles sequer configuram uma vitória. Essa é a conclusão dos pesquisadores do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (ou CSIS, na sigla em inglês), um “think tank” americano com sede em Washington, DC, referência em análises de segurança e geoestratégia. O conflito, que começou com uma grande operação por terra, mar e ar da Rússia em direção ao território ucraniano em 24 de fevereiro de 2022, completa quatro anos nesta terça-feira. Em um estudo publicado pelo CSIS no fim de janeiro intitulado "A guerra implacável da Rússia na Ucrânia – Perdas enormes e pequenos ganhos para uma potência decadente" analisou dados como ganhos de território e perdas humanas para questionar o discurso vitorioso do líder russo, Vladimir Putin, a respeito do conflito. (Leia mais abaixo) "Uma análise atenta dos dados sugere que a Rússia está longe de estar vencendo e, ainda mais interessante, que a Rússia é uma potência em declínio", sentencia o CSIS. Nesta reportagem você vai ver: Protestos e anexações: como tudo começou Estratégia histórica: 'guerra de atrito' Preço elevado: baixas no front e declínio econômico Quantos morreram na guerra? Impasse nas negociações de paz Infográfico - Territórios da Ucrânia ocupados pela Rússia Editoria de Arte/g1 Protestos e anexações: como tudo começou As animosidades entre Kiev e Moscou começaram no início de 2014, porém, anos antes do conflito aberto. Em fevereiro daquele ano, uma série de manifestações populares na praça Maidan, o centro do poder político do país, colocou fim ao governo do presidente ucraniano Viktor Yanukovitch, um aliado de primeira hora do Kremlin. Em resposta, Moscou passou a apoiar movimentos separatistas em regiões de maioria russa. Em março de 2014, a península da Crimeia e sua principal cidade, Sebastopol, assinaram uma “declaração unilateral de independência”, seguida de um referendo que aprovou a anexação do território à Rússia. Nenhum dos dois instrumentos foi reconhecido como legítimo pela Ucrânia ou pela comunidade internacional. Na região do Donbass, no extremo leste do país, a Rússia armou e financiou milícias pró-Moscou que lutaram contra Kiev, deixando as províncias de Donetsk e Luhansk efetivamente sob controle russo desde então. Estratégia histórica: 'guerra de atrito' Desde fevereiro de 2022, quando tropas dos dois países passaram a se enfrentar diretamente, o Exército russo tomou rapidamente o controle de regiões mais amplas do leste ucraniano, incluindo cidades estratégicas como Mariupol e Melitopol. O que se segue desde então, segundo o CSIS, é a chamada “guerra de atrito”, quando ambos os lados tentam fazer o inimigo gastar o máximo de recursos humanos e econômicos, mesmo que avançando pouco ou nada em seus próprios objetivos. Essa estratégia não é nova para a Rússia: ela já foi usada diversas vezes em sua história, desde o Império. Ela permite tirar vantagem de seu território extenso, seu inverno congelante e seu grande contingente populacional. Um exemplo clássico dessa guerra de atrito é a Batalha de Stalingrado, na qual o Exército Vermelho repeliu com sucesso a invasão da Alemanha nazista ao território soviético, entre 1942 e 1943 — não sem perder milhares de soldados. A vitória é considerada o ponto de virada da Segunda Guerra Mundial no front europeu oriental, culminando na chegada dos soviéticos a Berlim em 1945. Preço elevado: baixas no front e declínio econômico De acordo com o CSIS, a Rússia controla 120 mil km² do território ucraniano atualmente, ou cerca de 20% do país. Apesar de sofrer sanções do Ocidente, sua economia tem se mostrado relativamente resiliente, e seu Exército foi capaz de conter os mínimos avanços ucranianos ocorridos na região de Kursk. No entanto, a vantagem no combate tem sido freada pelas defesas ucranianas e o apoio massivo dado a Kiev pelo Ocidente. O preço pago pelos russos inclui: Desgaste desproporcional: as forças russas sofreram quase 1,2 milhão de baixas, incluindo mortos, feridos e desaparecidos em combate, desde fevereiro de 2022. É uma perda maior do que qualquer outra grande potência sofreu em qualquer guerra desde a Segunda Guerra Mundial. A proporção de baixas russas para ucranianas é estimada em aproximadamente 2: para 1 ou 2,5 para 1, segundo cálculos do CSIS. Avanço "glacial": as ofensivas russas têm sido notavelmente lentas, avançando a taxas médias de apenas 15 a 70 metros por dia em locais importantes. Para efeito de comparação, a ofensiva de Pokrovsk avançou mais lentamente do que as forças aliadas durante a notoriamente desgastante Batalha do Somme, na Primeira Guerra Mundial. Ganhos territoriais mínimos: apesar de estar na ofensiva há dois anos, a Rússia conquistou apenas cerca de 0,6% da Ucrânia em 2024 e 0,8% em 2025. Esses ganhos ficam "decisivamente aquém" do objetivo de Moscou de conquistar militarmente o país. Declínio Econômico e Tecnológico: A economia de guerra da Rússia está sob crescente pressão, com o setor manufatureiro em declínio e o crescimento econômico desacelerando para apenas 0,6% em 2025. Quantos morreram na guerra? Os dados sobre número de mortos diferem enormemente conforme a fonte, tanto do lado russo quanto do ucraniano. Segundo a ONU, ao menos 15.172 civis ucranianos morreram nos quatro anos de conflito, com um número total potencialmente maior. Volodymyr Zelensky disse em fevereiro de 2026 que 55 mil de seus soldados morreram, mas os cálculos do CSIS estimam uma cifra muito maior, de até 140 mil baixas. Já do lado russo, Moscou tem sido reticente em fornecer números oficiais. A BBC coloca o número de baixas militares russas em pelo menos 160 mil. Já o "think tank" americano calcula os mortos na casa de 325 mil de fevereiro de 2022 até dezembro de 2025. O CSIS calcula que, entre mortos e feridos civis e militares, a soma de baixas totais da guerra pode chegar em 1,8 milhão ou até 2 milhões até o fim de março — uma perda irreparável que contrasta com avanços e recuos milimétricos no front. Quais são as chances de um acordo Rússia-Ucrânia? Impasse nas negociações de paz Desde que voltou à Casa Branca, em janeiro de 2025, o presidente dos EUA, Donald Trump, vem tentando pôr um fim à guerra via negociação entre as partes. As conversas mediadas por Washington, até o momento, não deram nenhum resultado. Hesitante em admitir qualquer derrota, Trump frequentemente se lamenta da situação no Leste Europeu em suas falas públicas: "Era o conflito que eu pensei que seria o mais fácil de encerrar, mas ele está provando ser o mais difícil", disse o republicano, sobre Rússia e Ucrânia, após seu governo ter mediado negociações que levaram ao cessar-fogo entre Israel e o Hamas, em outubro. Apesar de estar sendo pressionada por Washington para aceitar um acordo, a Ucrânia, sob o comando do presidente Volodymyr Zelensky, se recusa sequer a discutir ceder territórios seus a Moscou, mesmo aqueles já controlados pela Rússia desde antes da guerra. Uma pessoa caminha ao lado de um veículo blindado russo capturado em meio à invasão russa da Ucrânia. HENRY NICHOLLS/AFP

FONTE: https://g1.globo.com/mundo/ucrania-russia/noticia/2026/02/24/quem-esta-ganhando-a-guerra-conflito-entre-russia-e-ucrania-completa-4-anos-impasse-sobre-acordo-de-paz-continua.ghtml


#Compartilhe

Aplicativos


Locutor no Ar

Top 5

top1
1. Deus Proverá

Gabriela Gomes

top2
2. Algo Novo

Kemuel, Lukas Agustinho

top3
3. Aquieta Minh'alma

Ministério Zoe

top4
4. A Casa É Sua

Casa Worship

top5
5. Ninguém explica Deus

Preto No Branco

Anunciantes