'Queremos que a escala 6x1 acabe já', diz Boulos sobre projeto de Lula
17/04/2026
(Foto: Reprodução) 'Queremos que escala 6x1 acabe já', diz Boulos sobre projeto de Lula
O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, falou sobre a tramitação do projeto enviado pelo governo Lula ao Congresso que acaba com a escala de trabalho 6x1.
"Queremos que a escala 6x1 acabe já", disse Boulos em entrevista ao Estúdio i, da GloboNews, nesta sexta-feira (17).
O projeto foi enviado em regime de urgência para a Câmara dos Deputados. Ao comentar a tramitação da proposta na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Boulos afirmou que o governo concorda com um período de transição para a medida, mas não em um prazo de anos, como foi sugerido na comissão.
Guilherme Boulos em entrevista na GloboNews nesta sexta-feira (17).
Reprodução/GloboNews
"Uma transição pode ser de adaptação, de 90 dias, não é? É preciso dar um prazo mínimo para as empresas se adaptarem, organizarem as escalas de trabalho. Agora, nós não admitimos nenhum tipo de transição como foi pensada na CCJ pelo relator Paulo Azi, de cinco anos. Aí não é transição, é postergação, né?", disse Boulos.
Proposta enviada pelo governo
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) encaminhou ao Congresso Nacional, na terça-feira (14), um projeto de lei que acaba com a chamada escala 6x1 — modelo em que o trabalhador atua por seis dias e descansa um.
O texto prevê a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas e diminui a escala de seis para cinco dias de trabalho, com dois dias de descanso remunerado (veja mais detalhes abaixo).
Na prática, a proposta institui o modelo conhecido como “5x2”. Segundo o governo, os dias de repouso poderão ser definidos por meio de negociação coletiva, “respeitando as peculiaridades de cada atividade”.
PL dos apps
Durante a entrevista, o ministro deu mais detalhes sobre pontos propostos pelo governo no projeto de lei que regulamenta o trabalho por aplicativos. O relatório sugere pagamento mínimo de R$ 10 por corrida, com R$ 2,50 por quilômetro adicional em viagens acima de 4 km, além do pagamento integral por entregas agrupadas.
"O que a gente quer é que essa tecnologia garanta dignidade para as pessoas que operam essas plataformas", disse.
"Os R$ 10 são uma demanda e uma reivindicação da categoria — e, aliás, plenamente justificadas. Se você olhar qual era a remuneração média por hora dos motofretistas antes da entrada dos aplicativos e fizer uma correção inflacionária, vai ver que o valor seria maior do que R$ 10. O que eles estão pedindo é uma reposição. Quando os aplicativos entraram, ampliaram as oportunidades de trabalho, mas houve perda na remuneração", afirmou.