Recuperação judicial da Rede Metodista é encerrada; entenda o que muda para os credores

  • 10/04/2026
(Foto: Reprodução)
Campus Taquaral da Unimep, em Piracicaba Grandes Leilões A recuperação judicial da Rede Metodista de Educação, cujo plano foi homologado em dezembro de 2022, está dada como encerrada, mesmo com R$ 716,3 milhões ainda a serem pagos para um total de 11.843 credores. O encerramento é fruto de uma decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que entende que entidades sem fins lucrativos não têm direito à recuperação judicial, justamente por não visarem lucro e por terem benefícios tributários. Diante disso, a Vara Regional Empresarial de Porto Alegre (RS), onde é tratada a recuperação judicial da Rede Metodista, prepara a extinção oficial do processo e autorizou, em 2 de abril, os credores a retomarem suas execuções individuais. 📲 Siga o g1 Piracicaba no Instagram A orientação agora é que cada trabalhador procure seu advogado para ele acionar a Vara do Trabalho na qual ingressou com a ação. "Esses processos precisam retomados, precisam ser reiniciados, para dar continuidade neles com pedido de buscas, pedidos para tentar buscar valores, principalmente diante da venda que ocorreu recentemente da Unimep (Universidade Metodista de Piracicaba) para a Drogal”, diz Letícia de Toledo Piza Rossi, advogada especialista em direito do trabalho. O que compõe a Rede Metodista A Rede Metodista conta com 16 entidades. São elas: Instituto Metodista de Ensino Superior (IMS), de São Bernardo do Campo (SP) mantenedor da Universidade Metodista de São Paulo (Umesp) e do Colégio Metodista de Bertioga; Instituto Educacional Piracicabano da Igreja Metodista (IEP), de Piracicaba (SP) mantenedor da Universidade Metodista de Piracicaba (Unimep) e do Colégio Piracicabano; Instituto Porto Alegre da Igreja Metodista (IPA), de Porto Alegre (RS), responsável pelo Centro Universitário Metodista IPA; Instituto Metodista Izabela Hendrix (IMIH), de Belo Horizonte (MG), possui a mantida Centro Universitário Metodista Izabela Hendrix; Instituto Metodista Granbery (IMG), de Juiz de Fora (MG), que possui a Faculdade Metodista Granbery; Instituto Metodista de Educação (Imed), de Lins (SP), mantenedor do Colégio Instituto Americano de Lins (IAL) e do Colégio Instituto Noroeste de Birigui; Instituto Metodista de Educação e Cultura (Imec), de Porto Alegre, que possui o Colégio Metodista União e o Colégio Metodista Americano em Uruguaiana; Instituto Metodista Centenário (IMC), de Santa Maria (RS), responsável pela Faculdade Metodista Centenário e pelo Colégio Metodista Centenário; Instituto Metodista Educacional Passo Fundo (IE), de Passo Fundo (RS), mantenedor do Colégio Metodista IE; Educa - Produtos e Serviços, de São Bernardo do Campo; Instituto Metodista de Serviços Educacionais, de São Paulo (SP); Centro Wesleyano do Sul Paulista, de Itupeva (SP); Instituto Metodista Bennet (IMB), do Rio de Janeiro (RJ); Instituto Metodista União de Uruguaiana, de Uruguaiana (RS); Centro de Ensino Superior de Porto Alegre, de Porto Alegre; Instituto Metodista Educacional de Altamira (Imea), de Altamira (PA). O grupo entrou em recuperação judicial para renegociar seus débitos e, ao mesmo tempo, evitar o encerramento de suas atividades. Atualmente, as dívidas estão em R$ 716.302.991,04, segundo a Vara Regional Empresarial de Porto Alegre. Há 11.843 credores, divididos da seguinte forma: 10.659 na classe trabalhista, com crédito total de R$ 547.361.617,69; 3 na classe de garantia real, que são aqueles com valores a receber por penhor, hipoteca ou anticrese, com total de R$ 100.122.695,56; 917 na classe quirografária, o que inclui fornecedores e bancos, com total de R$ 66.722.737,66; 264 na classe de microempresas e empresas de pequeno porte, com R$ 2.095.940,13. Ao logo da recuperação judicial, a Rede Metodista pagou R$ 213.352.938,45, de acordo com o último relatório apresentado pela administradora judicial, de dezembro de 2025. Vendas de imóveis Área que abrigava o campus da Unimep Grandes Leilões Para pagamento dos credores, imóveis ligados à Rede Metodista foram leiloados, a exemplo do campus Taquaral da Unimep, em Piracicaba. Em maio de 2025, uma parte do espaço tinha sido arrematada por R$ 20 milhões pela rede de supermercados Delta Max. Em setembro, houve a venda do restante da área, por R$ 35 milhões, para a Holding Cançado e Lessa, responsável pela Rede Drogal. Letícia aponta a possibilidade de esse dinheiro ainda estar disponível para distribuição entre os credores, que agora, com o fim da recuperação judicial, podem ir atrás dos recursos por vias próprias, sem depender mais da execução do plano elaborado pela Rede Metodista. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Piracicaba no WhatsApp Segundo a especialista, primeiro, quem faz as buscas por valores é o juiz. Em caso de insucesso, ele libera acessos para que o próprio advogado busque bens e valores do devedor e, depois, os indiquem para a Justiça. Os advogados podem pedir, inclusive, o bloqueio de valores obtidos por meio de leilão, como foi o caso do campus da Unimep. "A gente faz o pedido por meio de uma petição simples, muitas vezes também, dependendo da situação, com uma ação cautelar, informando o juiz de que há conhecimento da venda do imóvel tal, de que há um dinheiro disponível de tal valor e que requer a reserva desse valor", explica Letícia. O que dizem os sindicatos Em nota conjunta, entidades sindicais anunciaram a retomada imediata das execuções sob suas responsabilidades. "Os processos coletivos e os individuais, que tramitaram ou tramitam sob responsabilidade das entidades signatárias desta nota, serão acionados imediatamente, com a finalidade de que as competentes e necessárias execuções tenham prosseguimento e sejam satisfeitas, com a maior brevidade possível", escreveram. O comunicado foi assinado pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino (Contee) e pelos sindicatos dos professores de Campinas e região, do ABC Paulista, de Minas Gerais, de Juiz de Fora e do Rio de Janeiro. Segundo Conceição Aparecida Fornasari, presidente do sindicato de Campinas e Região, prazos de pagamento foram descumpridos ao longo da recuperação judicial. "O plano aprovado pelos credores após muito negociação com as metodistas, se tivesse sido cumprido, beneficiaria a todos, mesmo nós entendendo que não deveria ter sido aceito pelo juízo", diz. Com relação aos credores que possuem processos individuais, as entidades afirmaram que vão convidar seus advogados para uma tribuna livre, que será anunciada em breve. VÍDEOS: Tudo sobre Piracicaba e região Veja mais notícias da região no g1 Piracicaba

FONTE: https://g1.globo.com/sp/piracicaba-regiao/noticia/2026/04/10/recuperacao-judicial-da-rede-metodista-e-encerrada-entenda-o-que-muda-para-os-credores.ghtml


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