Região de Piracicaba tem mais mulheres do que homens em home office; saiba os motivos

  • 03/04/2026
(Foto: Reprodução)
A desenvolvedora de software Ana Paula Santos Divulgação A região de Piracicaba (SP) tem mais mulheres do que homens em trabalho home office, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Dados do Censo de 2022, divulgados pelo órgão em 26 de fevereiro, mostram que naquele ano, nas 18 cidades da região, 39.719 mulheres trabalhavam de casa. No caso dos homens, havia 32.005. Segundo Stela Cristina de Godoi, professora da Faculdade de Ciências Sociais e pesquisadora do Observatório PUC-Campinas, a sobrecarga com o trabalho doméstico e com a função de cuidado familiar estão entre os fatores que levam a mulher para o home office (leia mais abaixo). 📲 Siga o g1 Piracicaba no Instagram Das 18 cidades analisadas, apenas quatro tinham mais homens do que mulheres em home office, em números totais: Águas de São Pedro, Elias Fausto, Mombuca e São Pedro. Porém, proporcionalmente, as mulheres superam os homens em todos os municípios. Em Mombuca, por exemplo, havia 101 mulheres em home office, o equivalente a 16% de todas as moradoras da cidade que estavam no mercado de trabalho. Enquanto isso, 110 homens trabalhavam de casa, o que corresponde a 11% do total dos trabalhadores do sexo masculino. Trabalhadores em home office Maior produtividade Moradora de Piracicaba, a desenvolvedora de software Ana Paula Santos, de 31 anos, começou a trabalhar em sua atual empresa, que é de Hortolândia (SP), durante a pandemia da Covid-19, quando os funcionários estavam em home office por conta da necessidade de distanciamento social. A pandemia passou. Mesmo assim, até hoje, não há uma exigência — no caso do setor de Ana Paula — de as pessoas trabalharem presencialmente. Ela ressalta, no entanto, que essa questão não afeta a eficiência da equipe. 📲 Receba no WhatsApp notícias da região de Piracicaba Pelo contrário. Segundo a desenvolvedora de software, existe um entendimento de que se produz mais quando está em casa, porque os contatos durante o expediente são feitos com pessoas que estão, inclusive, em outros países. "Como eu trabalho com pessoas de vários lugares do mundo, ir presencialmente ao escritório nem sempre vai trazer essa questão do contato físico e pessoal", diz. O home office também traz mais comodidade à vida de Ana Paula, já que, se ela fosse até a sede da empresa, gastaria cerca de três horas no trânsito. "Então, trabalhando de casa, eu consigo cuidar da minha saúde, eu consigo descansar mais, eu consigo ter tempo para conseguir estudar. É muito benéfico para mim utilizar essas três horas que eu perderia em transporte fazendo coisas que vão agregar valor para mim enquanto pessoa, para minha saúde e também para o meu desenvolvimento na carreira", afirma. Melhora no dia a dia Por falta de oportunidades em sua área de atuação no Brasil, a também moradora de Piracicaba Nicole Giani, de 38 anos, conseguiu um trabalho à distância em uma empresa suíça, onde atua como líder de conteúdo. Ela aponta que o home office trouxe mais liberdade para seu dia a dia e melhorou sua rotina. "Começo a trabalhar às 6h, trabalho por algumas horas, vou à academia, preparo o almoço, volto ao trabalho e termino o meu dia, no máximo, às 16h. Essa estrutura me permite manter alta produtividade ao longo do dia, ao mesmo tempo em que preservo um excelente equilíbrio entre vida pessoal e profissional." A melhora pode ser percebida, até mesmo, após o expediente, de acordo com Nicole. "Tenho bastante tempo livre durante a tarde e à noite para fazer o que gosto e também consigo dormir em um horário adequado, já que não preciso correr quando chego em casa depois do trabalho", ressalta. Mas por que mulher trabalha mais em home office do que homem? O tipo de serviço e a escolarização estão entre os fatores que podem levar a mulher a trabalhar mais em home office do que serviços, de acordo com a professora e pesquisadora Stela Cristina de Godoi. "Há setores de atividade econômica, como de serviços, historicamente mais associados ao trabalho feminino e mais adaptáveis para o trabalho remoto comparativamente a produção industrial, por exemplo", explica. Ela também aponta que, de forma geral, as mulheres têm maior nível de instrução do que os homens — segundo o Censo 2022, naquele ano havia 99.225 mulheres com ensino superior na região de Piracicaba, ante 79.715 homens. E trabalhos em home office, segundo Stela, costumam exigir mais qualificação. "Poderíamos supor que municípios como Piracicaba, com presença de universidades importantes, provoca um efeito de diversificação da economia e maior oferta de empregos qualificados", diz. A professora também cita a sobrecarga das mulheres com o trabalho doméstico e com a função de cuidado exercida no ambiente familiar como motivos que as forçam a estar em casa. Mais mães do que pais Essa situação é reforçada por outro recorte do Censo 2022, que mostra que na região de Piracicaba, a cada dez domicílios monoparentais (com apenas uma das figuras paternas, que pode ser o pai ou a mãe), pelo menos oito são liderados por mulheres. Domicílios monoparentais, divididos pelo gênero 'dominante' "O trabalho remoto ou, ainda pior, o trabalho precarizado e de tempo parcial, muitas vezes se apresenta como a única saída para mulheres que são a única responsável pelo seu grupo familiar", avalia Stela. VÍDEOS: Tudo sobre Piracicaba e região Veja mais notícias da região no g1 Piracicaba

FONTE: https://g1.globo.com/sp/piracicaba-regiao/noticia/2026/04/03/regiao-de-piracicaba-tem-mais-mulheres-do-que-homens-em-home-office-saiba-os-motivos.ghtml


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