Região onde marido de influenciadora foi atacado já registrou chacina em RO
28/11/2025
(Foto: Reprodução) João Martins e Thais Reolon
Reprodução/Redes Sociais
A região de fazendas onde João Martins, marido da influenciadora Thais Reolon, disse ter passado cerca de 12 horas escondido na mata é marcada há anos por conflitos no campo. A área conhecida como Galo Velho registrou, em março de 2025, uma chacina que deixou seis pessoas mortas. Também é o mesmo território onde dois policiais foram assassinados em 2020.
🔎A Fazenda Norbrasil fica no distrito de Nova Mutum Paraná, em Porto Velho. João Martins é sobrinho de Antônio Martins, o “Galo Velho”, proprietário da área.
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Chacina de março de 2025
O crime aconteceu no acampamento Tiago dos Santos, na zona rural de Porto Velho, uma área já conhecida por disputas agrárias. As seis vítimas eram quatro homens e duas mulheres, e quatro delas da mesma família, veja os nomes:
Patricia Krostrycki
Lorraine Krostrycki da Silva
Thiago Krostrycki
Luan Krostrycki
Rafael Garcia de Oliveira
Júlio César Nunes Aparecido
Segundo a Polícia Militar, equipes do Batalhão de Fronteira e Divisas (BPFRON) foram acionadas por volta das 11h e encontraram todos mortos a tiros. A motivação ainda é investigada.
Conflitos agrários
O distrito já foi palco de outros crimes graves. Em 2020, o tenente da reserva José Figueiredo Sobrinho foi morto com cerca de dez tiros após ser abordado por um grupo armado dentro de uma fazenda. No dia seguinte, o sargento Márcio Rodrigues da Silva foi assassinado enquanto investigava o caso.
Ao g1, o especialista em Direito Agrário Josep Iborra Plans explicou que a violência no campo cresce junto com o avanço da fronteira agrícola sobre a floresta. A região conhecida como Amacro — que reúne o leste do Acre, o sul do Amazonas e o norte de Rondônia — concentra hoje a maior parte dos conflitos agrários do estado.
Segundo ele, a violência envolve diferentes grupos: fazendeiros, produtores de soja, madeireiros, garimpeiros e até especuladores imobiliários.
“Tradicionalmente, o maior número de assassinatos envolve trabalhadores sem-terra. Mas, nos últimos anos, as ocupações diminuíram; o que cresce é a violência praticada por grupos econômicos que disputam território”, afirmou.
O relatório Conflitos no Campo Brasil 2024, da Comissão Pastoral da Terra (CPT), mostra que, entre 2023 e 2024, o número de assassinatos no campo caiu de 31 para 13 no país. Porém, outras formas de violência como ameaças, intimidações e ataques armados aumentaram.
Em Rondônia, segundo o documento, a violência permanece intensa e atinge diversas comunidades, incluindo indígenas, ribeirinhos, posseiros e pequenos agricultores.
Três das seis Vítimas da chacina
Reprodução/Redes sociais
Figueiredo e Rodrigues: policiais mortos em emboscada em Rondônia
Polícia Militar/Divulgação