Rita Lee homenageada pela Mocidade: entenda referências à carreira e vida da cantora feitas pelo samba
06/02/2026
(Foto: Reprodução) Rita Lee (1947 – 2023) é o enredo da Mocidade Independente de Padre Miguel no Carnaval de 2026
Divulgação
O samba-enredo que a Mocidade Independente de Padre Miguel escolheu para homenagear Rita Lee no carnaval de 2026 traz diversas referências a músicas, épocas e estilo da cantora, que foi um ícone e símbolo de liberdade e lutou por princípios feministas e revolucionários. A artista morreu em 2023.
Logo no início do samba (veja a letra completa no fim da reportagem), o verso "Um belo dia resolvi mudar" refere-se ao trecho de "Agora só falta você" (1975), que se tornou um dos marcos da carreira da cantora. Em seguida, “Cansei dessa gente careta” remete ao tom provocador presente em diversas canções da cantora, especialmente “Ovelha Negra” (1975), em que Rita afirma sua recusa em seguir padrões.
Essa referência fica ainda mais explícita em “Formei outras ovelhas negras”, uma alusão direta ao refrão da música, que se tornou um dos maiores hinos de independência e rebeldia da MPB.
Em “A Tropicalista do verbo sem freio”, o samba dialoga com a fase inicial da carreira de Rita Lee nos anos 1960, à frente dos Mutantes, grupo associado ao Tropicalismo, movimento que misturou guitarras elétricas, irreverência e crítica social em canções como “Panis et Circensis”. Mais a frente, o samba retoma os Mutantes no verso “mutante da pele marcada” para se referir à artista.
Já em “Pra farda uma língua e o dedo do meio”, o samba faz referência direta ao período da ditadura militar, quando Rita Lee enfrentou censura, perseguição e chegou a ser presa grávida nos anos 70.
A estética da artista aparece em “Cabelo de fogo e a lente encarnada”, imagem associada à persona construída por Rita Lee nos palcos, especialmente durante a carreira solo, quando ela reforçou um visual extravagante que acompanhava canções de forte identidade autoral. Pouco depois, a referência é a mais um verso da cantora "só de te olhar, posso imaginar loucuras", frase presente na música Mania de Você (1979).
"Amor é pra sempre" é um verso que se refere à icônica música Amor e Sexo (2003), composta por Lee e seu marido, Roberto de Carvalho.
Em “Meu doce vampiro além do querer”, o samba cita explicitamente “Doce Vampiro” (1980), seguido da referência à Desculpe o Auê (1983). Já o verso “Se é caso sério, eu lanço perfume” une duas referências diretas: “Caso Sério” (1980) e “Lança Perfume” (1980).
A expressão “Santa Rita Leeberdade” brinca com o nome da artista e faz alusão à imagem construída em músicas que exaltam a autonomia feminina, como “Pagu”, citada diretamente no verso seguinte: “Vem, seja Pagu, se entrega”. A canção, lançada em 2000, homenageia a militante Patrícia Galvão e se tornou um marco do feminismo na música brasileira.
"No céu, no mar, na lua, na Vila Vintém" faz uma comparação entre aos versos da música Casinha de Sapê, gravada por Kid Abelha.
Veja a letra do samba
Mocidade vai cantar Rita Lee; veja o samba
Um belo dia resolvi mudar
Cansei dessa gente careta
Aos seus bons costumes eu sinto informar
Formei outras ovelhas negras
A Tropicalista do verbo sem freio
Pra farda uma língua e o dedo do meio
Cabelo de fogo e a lente encarnada
Mutante da pele marcada
Transo rock e samba pra sentir prazer
Agora só falta você (yeah, yeah)
Agora só falta você
Sou Independente, fácil de amar
Livre de qualquer censura
Vem, baila comigo
Só de te olhar, posso imaginar loucuras
Amor é pra sempre
O corpo compondo entre a boca e o ventre
Dedilha a guitarra (lá laiá)
Arranca as amarras e me bebe quente
Meu doce vampiro além do querer
Desculpe o auê
Se é caso sério, eu lanço perfume
Aumenta o volume que eu banco a verdade
Não adianta prender
Santa Rita Leeberdade
Vem, seja Pagu, se entrega
Quem foge ao padrão vence a regra
Sou voz feminina plural
Assino a estrela no seu carnaval
Mocidade, ê, ê, ê
Minha Mocidade, voltei por você
Desbaratina a razão, se joga, meu bem
No céu, no mar, na Lua, na Vila Vintém