Rodoviários vão entrar com ação coletiva na Justiça contra Real e Vila Isabel

  • 15/01/2026
(Foto: Reprodução)
Rodoviários fazem manifestação em garagens da Real e Vila Isabel e ao menos 13 linhas são afetadas Rodoviários impactados pela crise em duas empresas vão entrar com uma ação coletiva na Justiça para cobrar indenizações e valores que a Real e Vila Isabel deixaram de pagar. A decisão foi tomada em assembeia nesta quinta-feira (15) depois de uma manifestação em frente às garagens. Pelo menos 13 linhas operadas pelas viações Vila Isabel e Real totalmente paradas ou circulando de forma parcial nesta quinta (15). O ato, segundo o Sindicato dos Rodoviários, era para cobrar o pagamento de benefícios atrasados — como férias, 13º salário, vale-alimentação, verbas rescisórias, FGTS e INSS. Os valores serão cobrados, então, na Justiça. Enquanto os rodoviários lutam por condições trabalhistas e pagamentos devidos, a população também sofre com o sucateamento do transporte. O Ministério Público abriu inquérito para apurar falhas no serviço oferecido pelas empresas de ônibus e a empresa Real Auto Ônibus e o consórcio Intersul foram chamados para prestar esclarecimentos. O MP também pediu que a Secretaria Municipal de Transportes fiscalize as linhas operadas pela empresa. A TV Globo pediu entrevista para a secretária Maína Celidônio e para o presidente do Rio Ônibus, o João Gouveia, mas ambos negaram. Em nota, a prefeitura disse que vem monitorando os ônibus das empresas Real e Vila Isabel. Pelo contrato de concessão com a prefeitura, o consórcio responsável pelas empresas de ônibus é obrigado a assumir o serviço em caso de uma delas ter problemas. Ou seja, os consórcios Intersul e Transcarioca deveriam atender a demanda dos passageiros. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias do RJ em tempo real e de graça Funcionários das viações Real e Vila Isabel cobram salários e benefícios atrasados Lucas Peçanha/TV Globo A incerteza dos ônibus Na segunda (12), as Viações Real e Vila Isabel reduziram a frota de ônibus por falta de combustível. A paralisação desta quinta afeta especialmente bairros das zonas Norte, Sul, Sudoeste e da região central. Passageiros que dependem das linhas operadas pelas duas viações que a redução da frota não acontece apenas em dias de manifestação. Na Praça Barão de Drummond, em Vila Isabel, moradores afirmam que algumas linhas vêm desaparecendo aos poucos nos últimos meses. “Depois de setembro, tiraram o 439 (Vila Isabel x Leblon) de vez. Era a única condução direta daqui para o Jardim Botânico, e não tem mais”, contou a publicitária Márcia Teixeira. A presidente da Associação de Moradores de Vila Isabel, Grajaú e Adjacências, Mônica Lahmann, também cobra respostas. “A praça era cheia de ônibus da Vila Isabel. Hoje, isso aqui virou um marasmo. O COR mandou usar BRT, VLT, metrô, trem… mas aqui na região não temos nenhum desses. Nem van. Vamos pra onde?” questionou. Por conta da manifestação, pelo menos 5 linhas das viações Real e Vila Isabel estão totalmente paradas Lucas Peçanha/TV Globo Ato não é greve, diz sindicato O Sindicato dos Rodoviários afirma que não se trata de uma paralisação da categoria, e sim de um ato contra as empresas, que segundo a entidade acumulam dívidas com trabalhadores há meses. “O que está acontecendo é fruto da intransigência e dos desmandos das direções das viações Vila Isabel e Real em não quitar seus passivos. São férias, 13º salários, ticket-alimentação, rescisões e outros benefícios que não são pagos em dia”, afirma Sebastião José, presidente da associação. O presidente da entidade denuncia que: a Viação Real está desde abril sem recolher FGTS e INSS; a empresa está em recuperação judicial, mas mesmo assim teria demitido mais de 60 funcionários, que agora aguardam rescisões sem prazo para recebimento; trabalhadores ativos também estariam sem perspectiva de pagamento. Segundo o sindicato, tentativas de mediação com a empresa e com o Ministério Público do Trabalho não surtiram efeito. Funcionários cobram por férias, 13º salários, ticket-alimentação, rescisões e outros benefícios que não são pagos Lucas Peçanha/TV Globo Sebastião relata que muitos profissionais, alguns com 20, 30 e até 35 anos de casa, estariam passando por “situações constrangedoras” diante da falta de recursos. “O ato é para chamar a atenção da opinião pública, do prefeito e do Judiciário. Não é admissível que trabalhadores que prestam um serviço essencial estejam nessa situação”, disse o presidente. Ele reforça que o transporte coletivo é um serviço de utilidade pública, e que a categoria exige “respeito e dignidade” da Prefeitura, do Rio Ônibus e dos consórcios. O motorista Luciano Arruda afirma que não recebeu o pagamento das férias, mas faz questão de reforçar que os trabalhadores não são responsáveis pelo caos no serviço. “Quero pedir perdão às pessoas que dependem do transporte. A culpa não é nossa. Eu amo o que faço, amo conduzir passageiros, mas preciso de condições, de dignidade para levar e trazer vidas com responsabilidade”, disse. Nos últimos meses, as viações Real e Vila Isabel têm enfrentado sucessivos episódios de paralisações motivadas por atrasos salariais, benefícios não pagos e falhas estruturais nas frotas. Em dezembro, uma mobilização dos trabalhadores chegou a impactar mais de 20 linhas. O Rio Ônibus informou que a empresa Real Auto Ônibus está em diálogo com o Sindicato dos Rodoviários para resolução dos problemas. As empresas Real e Vila Isabel ainda não comentaram a nova paralisação. Multas A prefeitura disse que a Secretaria Municipal de Transportes (SMTR) acompanha em tempo real, via GPS, o cumprimento da quilometragem prevista em contrato — aplicando o corte do subsídio diário sempre que uma linha deixa de operar como deveria. Diante das recorrentes falhas na operação das duas empresas, a SMTR diz ter adotado medidas de contingência para reduzir os impactos aos passageiros. Entre elas, a criação de duas linhas especiais: LECD128 (Terminal Gentileza x Leblon), alternativa às linhas 112 e 110; LECD129 (Terminal Alvorada x Central do Brasil), substituindo parcialmente as linhas 309 e 548. Ainda segundo a prefeitura, a Secretaria de Transportes também ampliou itinerários: a linha 109 passou a sair do Santo Cristo até o Terminal Gentileza, e a 157 agora opera do Castelo ao Santo Cristo, com passagem pela Central do Brasil. Linhas com trajetos semelhantes aos da Real e da Vila Isabel também tiveram reforço de frota. A SMTR afirma que continuará atuando com o Consórcio Intersul para avaliar novas ações emergenciais e garantir a continuidade do atendimento aos usuários. Funcionário da Viação Real cobra por benefícios atrasados Lucas Peçanha/TV Globo

FONTE: https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2026/01/15/rodoviarios-vao-entrar-com-acao-coletiva-na-justica-contra-real-e-vila-isabel.ghtml


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