Rússia repudia envio de tropas da Otan à Groenlândia e reclama de 'militarização acelerada' no Ártico
15/01/2026
(Foto: Reprodução) Em meio a ameaças de Trump, Dinamarca anuncia aumento da presença militar na Groenlândia
A Rússia afirmou estar seriamente preocupada com a ida de militares da Otan à região do Ártico, anunciada por alguns países-membros da aliança militar na quarta-feira (14) para defender a Groenlândia de ameaças de anexação feitas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
O governo russo também acusou a Otan de realizar uma mobilização "militar acelerada" que teria um "claro objetivo de conter a Rússia e promover uma agenda antirrussa e antichinesa".
“A situação que está se desenrolando nas altas latitudes é motivo de séria preocupação para nós”, disse a embaixada russa na Bélgica, onde fica a sede da Otan, em um comunicado publicado na noite de quarta-feira. Segundo a embaixada, a Otan está "ampliando sua presença militar ali sob o falso pretexto de uma ameaça crescente por parte de Moscou e Pequim".
A fala ocorre após os governos da Dinamarca e da Groenlândia anunciarem, na quarta-feira, que aumentarão a presença militar na ilha e também no Ártico em coordenação com outros países da Otan (leia mais abaixo). Os primeiros soldados dinamarqueses começaram a chegar na ilha nesta madrugada.
Apesar da Rússia protestar contra a presença da Otan no Ártico e acusar a Europa de ter "planos beligerantes", aliança militar tem presença constante na região e exercícios militares são comuns:
Os mais recentes ocorreram no início desta semana, segundo imagens divulgadas pela própria Otan em suas redes sociais: "treinamento no Ártico" (veja abaixo);
Em setembro de 2025, a Dinamarca realizou um exercício com aliados da Otan ao redor da Groenlândia que envolveu mobilização por ar, mar e terrestre;
Em março de 2024, Noruega, Suécia e Finlândia realizaram treinamentos.
Navio de guerra da Otan navega durante treinamento militar no Ártico em janeiro de 2025.
Divulgação/Otan
Países-membros da Otan contextualizam a mobilização no âmbito da escalada de tensões com os EUA, no entanto, a Alemanha afirmou nesta quinta-feira que uma missão da aliança na Groenlândia nos próximos dias terá como objetivo “explorar opções para garantir a segurança diante das ameaças russas e chinesas no Ártico”.
A opção reforçar o flanco do Ártico é adotada por aliados dos EUA com dois objetivos: impedir uma ação militar norte-americana contra a ilha e também mostrar a Trump que se levam em consideração sua preocupação com a segurança da região.
Ofensiva de Trump contra a Groenlândia
Trump realiza uma ofensiva contra a Groenlândia com o objetivo de fazer com que a ilha se torne parte dos EUA, o que deixou europeus em alerta —a ilha do Ártico pertence à Dinamarca, que disse não estar disposta a negociar sua soberania sobre o território. O presidente norte-americano reiterou na quarta-feira que os EUA precisam da ilha e que não se pode confiar na Dinamarca para a proteger.
Trump afirma que há uma crescente presença da Rússia e da China na região do Ártico, no entanto, europeus o desmentiram ao dizer, com base em seus relatórios de inteligência, que não foram detectados navios de guerra russos ou chineses na região. O presidente dos EUA também tem interesses econômicos na Groenlândia.
A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, afirmou nesta quinta-feira que a ambição de Trump em tomar a ilha do Ártico permanece "intacta" mesmo após uma reunião entre representantes de alto nível dos governos norte-americano, dinamarquês e groenlandês ocorrida na quarta em Washington D.C.
Países da Otan prometem tropas à Groenlândia
Em setembro passado, tropas dinamarquesas juntaram-se a tropas aliadas em exercícios militares na Groenlândia.
Guglielmo Mangiapane/REUTERS
Alemanha, França, Suécia e Noruega anunciaram nesta quarta-feira (14) que estão enviando soldados à Groenlândia. A decisão ocorre em meio às ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de anexar a ilha.
As tropas devem começar a chegar ao território na quinta-feira (15). Apesar de ter autonomia, a Groenlândia está sob a custódia da Dinamarca.
Segundo um porta-voz do governo alemão, militares de reconhecimento serão deslocados para a ilha. O Ministério da Defesa disse que a missão foi solicitada pela Dinamarca para avaliar possíveis contribuições militares e reforçar a segurança na região.
Já o presidente da França, Emmanuel Macron, anunciou que tropas francesas vão participar de exercícios militares conjuntos organizados pela Dinamarca. A operação, segundo ele, se chama “Resistência Ártica”.
Mais cedo, a Dinamarca disse que reforçou a presenta militar na ilha e seus arredores em "estreita colaboração" com aliados da Otan.
Nas últimas semanas, Trump afirmou repetidamente que a ilha é vital para a segurança dos EUA e que o país precisa controlar o território para impedir uma ocupação por Rússia ou China.
O presidente dos Estados Unidos disse que todas as opções estão sobre a mesa para garantir o controle da Groenlândia. A Casa Branca não descarta uma ação militar.
Nesta quarta-feira, autoridades da Dinamarca e da Groenlândia se reuniram em Washington com o vice-presidente dos EUA, JD Vance, e o secretário de Estado, Marco Rubio.
Após o encontro, um alto representante dinamarquês afirmou que permanece um “desacordo fundamental” com Trump sobre o futuro da Groenlândia. Os dois lados concordaram em criar um grupo de trabalho para discutir as preocupações de segurança dos EUA.
A ministra das Relações Exteriores da Groenlândia, Vivian Motzfeldt, afirmou que quer fortalecer a cooperação com os EUA, mas deixou claro que o território não deseja ser controlado por Washington.
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