Servidores denunciam assédio moral e perseguição em escola de Rio Branco; ouvidoria não responde há 5 meses
10/04/2026
(Foto: Reprodução) Servidores denunciam assédio moral e perseguição em escola de Rio Branco
Servidores da rede estadual de ensino denunciaram ao g1 um suposto cenário de assédio moral, perseguição funcional e omissão institucional na Escola Estadual José Rodrigues Leite, em Rio Branco.
As queixas foram formalizadas por meio de requerimento encaminhado à Ouvidoria da Secretaria de Estado de Educação do Acre (SEE). No entanto, segundo os profissionais, a denúncia segue sem resposta desde novembro do ano passado.
Ao g1, a Secretaria de Estado de Educação e Cultura do Acre (SEE-AC) informou que tem conhecimento formal das denúncias e que foi instaurado processo de sindicância administrativa. Além disso, a SEE destacou que o Departamento de Segurança Escolar também acompanha o caso. (Confira nota mais abaixo)
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De acordo com os relatos, professores e outros trabalhadores da unidade relatam um ambiente marcado por conflitos internos, constrangimentos e exposição indevida. A denúncia sustenta que a gestão escolar teria deixado de atuar como mediadora pedagógica, contribuindo para o agravamento de tensões dentro da escola.
"Nós não obtivemos, até o momento, nenhum tipo de retorno da SEE com relação a isso. Instauraram um procedimento apuratório, mas não houve nenhum tipo de solução e isso já tem quase seis meses. A gestão coloca os alunos contra os professores e forma toda uma relação de conflitos dentro da própria escola", disse um dos profissionais que preferiu não se identificar.
Denúncia foi recebida pela SEE em novembro do ano passado, mas servidores ainda não obtiveram respostas
Arquivo pessoal
Outra profissional que cedeu entrevista ao g1 sob condição de anonimato disse que a situação vem piorando com o passar o tempo, tendo em vista que ela ainda segue sendo perseguida no ambiente escolar.
Ela aponta que o cenário de hostilidade iniciou quando a gestão da escola removeu um mediador de sala de aula e os alunos ficaram sem a devida assistência. A situação então foi denunciada e, a partir disto, teriam-se iniciadas as supostas represálias. O g1 não conseguiu contato com a direção do local.
"Ao fim do ano letivo de 2025, tentei sair da escola, porém, foi ocultado de mim, enquanto servidora, o documento que é o memorando que vem da SEE, do setor de lotação, onde abre o período para nós manifestarmos interesse em sair da escola. Como esse documento foi ocultado de mim, eu perdi os prazos. Quando fui na secretaria atrás, [o prazo] já tinha passado, e eu tive que permanecer na mesma escola. Desde a primeira semana de aula, eu estou sofrendo perseguição", lamentou.
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Outro aspecto citado é a suposta utilização de instâncias escolares para constranger trabalhadores, incluindo a exposição informal de acusações. Segundo o relato, dentre as situações de hostilidade, um aluno teria ido a uma delegacia registrar boletim de ocorrência contra a profissional - incentivado, supostamente, pela direção escolar.
"Só pelo fato de que eu não gostava das atitudes do menino. É um absurdo [...] cabe ressaltar que no momento que aconteceu os episódios, fomos até à ouvidoria, fizemos uma denúncia, juntamos as provas que temos e até hoje não nos deram uma explicação. Para mim é muito desgastante porque a SEE já era para ter me dado uma resposta", complementou.
VÍDEO mostra alunos com atos de indisciplina e dano ao patrimônio em escola do Acre
Suposto tratamento desigual
Os profissionais também questionam um possível tratamento desigual dentro da unidade. Um vídeo que o g1 teve acesso mostra estudantes em situação de desordem durante uma aula, com atos de indisciplina e risco ao patrimônio público. (Assista ao VÍDEO acima)
A situação contrasta, segundo os relatos, com um memorando da própria escola solicitando com urgência novos itens de mobiliário à SEE, como carteiras e mesas, sob alegação de insuficiência de recursos no ano anterior.
"É mais uma justificativa de que a escola é permissiva com relação a alunos, mas com relação a servidores vai lá e persegue, faz alunos se voltarem contra professores. Aí eles [alunos] fazem o que fizeram nesse vídeo, por exemplo, e 'tá tudo bem' [...] o episódio não é isolado, é uma série de situações que ocorrem na escola que estão tornando o ambiente extremamente hostil para funcionários", complementou um dos denunciantes.
Além das questões administrativas, os servidores afirmam que não receberam suporte psicológico da SEE, mesmo diante de sinais de desgaste emocional relacionados ao ambiente de trabalho.
"Eu me sinto hoje trabalhando em um inferno, sabe?! Hoje, para eu sair de casa, tenho que tomar alguma coisa para me controlar e ficar mais calma. O pior horário para mim é o que eu tenho que sair de casa. Não pelos alunos, mas pela situação de pressão psicológica que venho passando", lamentou.
Desde novembro do ano passado, servidores da Educação da Escola José Rodrigues Leite não recebem retorno de denúncia de assédio moral
Arquivo pessoal
Nota da SEE
O governo do Acre, por meio da Secretaria de Estado de Educação e Cultura do Acre (SEE), informa que tem conhecimento formal das denúncias envolvendo a Escola José Rodrigues Leite.
Sobre o caso, esclarece que foi instaurado processo de sindicância administrativa para apuração dos fatos relatados, em conformidade com os trâmites legais da administração pública.
O Departamento de Segurança Escolar da SEE está acompanhando a situação e realizando os encaminhamentos cabíveis, com o objetivo de assegurar um ambiente escolar adequado, seguro e respeitoso para os servidores e para a comunidade escolar.
A Secretaria reforça que denúncias dessa natureza são tratadas com seriedade, observando o devido processo legal, o direito ao contraditório e à ampla defesa. As providências seguem em andamento nos órgãos competentes.
Por se tratar de procedimento administrativo em curso, eventuais detalhes permanecem resguardados nos termos da legislação vigente.
Rio Branco, Acre, 9 de abril de 2026.
Reginaldo Luís Pereira Prates
Secretário de Estado de Educação e Cultura
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