'Situação crítica': como comércios tradicionais se adaptam e resistem no Centro de Campinas

  • 25/04/2026
(Foto: Reprodução)
'Situação crítica': como comércios tradicionais resistem no Centro de Campinas "O Centro está doente", "decadência" e "meio abandonado". Da concorrência com as vendas online à insegurança, comerciantes e trabalhadores que atuam há décadas na região central de Campinas (SP) exemplificam as transformações das ruas e traçam as estratégias para manter os negócios, além de lidar com a angústia do fechamento de lojas vizinhas. O g1 percorreu as ruas do Centro e conversou com comerciantes, que relataram que a resistência em permanecer passa por adaptações como buscar vendas pela internet, reduzir custos e trabalhar com estoques mais enxutos, além de investir em segurança, iluminação e outros cuidados. Em meio aos problemas apontados, a Prefeitura de Campinas afirma que mantém ações permanentes para reforçar a segurança e destacou investimentos em iluminação, limpeza, mutirões de zeladoria e obras de requalificação urbana, junto à revitalização de prédios históricos e incentivos fiscais para atrair moradores e empresas - confira o que dizem os comerciantes e a prefeitura abaixo. 📲 Participe do canal do g1 Campinas no WhatsApp 'Decadência do Centro' Com mais de quatro décadas no mesmo endereço, o comerciante Denis Iazdi diz que nunca enfrentou uma fase tão difícil quanto a atual. Dono da loja de componentes eletrônicos Cinestec, ele afirma que o movimento caiu para cerca de 20% do que era há dez anos e classifica o cenário como uma “decadência do Centro”. A Cinestec funciona há 41 anos na Rua General Osório, entre as ruas Saldanha Marinho e Visconde do Rio Branco. Denis contou que passou por diferentes crises econômicas na história da empresa, mas avalia o momento atual como o mais crítico. "Hoje a situação é a mais crítica que já passamos, é a pior de todas". "A maioria das pessoas foi para a periferia, tem centros comerciais muito mais fortes que aqui. Eu não posso, eu sou o dono do prédio, se eu sair eu não consigo alugar. Só nessa rua aqui tem 40 imóveis vazios", relatou. Estabelecimentos fechados na General Osório, no Centro de Campinas (SP). Bárbara Camilotti/g1 Segundo Iazdi, a decadência da área central se intensificou a partir de 2018. Na avaliação dele, os valores dos imóveis ficaram acima da realidade, o que dificultou a manutenção dos negócios e provocou a saída de empresas para outras regiões da cidade. Durante a pandemia, a loja teve um bom desempenho por conta da venda de peças usadas em equipamentos hospitalares, mas o movimento despencou após esse período. "Essa pandemia praticamente me salvou. Apesar de eu estar com as portas fechadas naquela época que tinha que fechar, a nossa venda externa era muito forte", afirmou. Além da redução no fluxo de clientes, Denis apontou que o avanço das compras pela internet agravou a situação especialmente no varejo técnico, como o de componentes eletrônicos. "Eu tenho uma região metropolitana com milhões de pessoas e eu tenho praticamente 10 concorrentes. Mas a partir do momento que você cair na internet, você vai competir com o planeta inteiro. Os grandes portais dominaram, aí ficou difícil", disse Denis. Mesmo com a concorrência, hoje boa parte da sobrevivência do negócio depende das vendas on-line, que passaram de cerca de 1% para 10% do faturamento, segundo o comerciante. Além da queda no movimento, Denis disse que há um aumento da insegurança no Centro. Após cerca de 20 anos sem registros de invasões, a loja foi alvo de três ocorrências entre 2023 e 2024, o que levou à instalação de grades e sistemas de segurança. LEIA MAIS De insegurança a dengue: queixas sobre imóveis abandonados disparam 135% no Centro de Campinas Comerciantes e moradores do Centro de Campinas narram insegurança e cenário de abandono: 'A gente anda com medo' Esvaziamento Na Rua Conceição, próximo à Rua Irmã Serafina, funciona a Banca do Rock. O dono, Renato de Souza, trabalha no Centro há 27 anos e afirma que o esvaziamento da área vem ocorrendo de forma gradual. "Eu acredito que o Centro está doente, mas é uma doença que vem apresentando sintomas já de uns 20 anos para cá, alguns pequenos sintomas que ninguém cuidou", disse. Segundo Renato, ruas que antes eram movimentadas e iluminadas hoje concentram imóveis fechados e pouca circulação de pessoas. "É triste você andar à noite por aqui. Antes você tinha um monte de bar aberto, uma vida noturna legal. Hoje você só vê sujeira, você vê rato atravessando a rua. Ninguém quer isso", contou. Para ele, fatores como aluguel alto, dificuldade para estacionar, violência e degradação urbana contribuíram para a saída dos comércios para outros bairros da cidade. "Hoje os bairros oferecem pra você a estrutura que o centro dá e até melhor", avaliou. Rua General Osório, no Centro de Campinas (SP). Bárbara Camilotti/g1 Para continuar funcionando, o comerciante diz que as estratégias de sobrevivência acabam sendo individuais. "Cada comerciante está meio cada um por si. O que eu tentei fazer, acimentei a calçada, tento manter tudo iluminado, os vizinhos aqui eu sei que se preocupam com isso, mantendo o mais limpo possível. É cada um fazendo um pouco", explicou. O comerciante acredita que ainda é possível reverter o quadro, desde que haja ações conjuntas entre comerciantes, proprietários de imóveis e poder público para incentivar a ocupação das lojas vazias. Sensação de insegurança Centro de Campinas à noite Reprodução EPTV No entorno do Largo do Rosário, também na Rua General Osório, o garçom Vicente de Jesus Santos trabalha há quase 27 anos em um restaurante. Ele contou que acompanhou as mudanças ao longo do tempo e percebe um aumento da insegurança, principalmente à noite. "O centrão aí está meio que abandonado. Muitas lojas fechando, praticamente fechou tudo. Depois que o Palácio da Justiça saiu daqui, foi para a Cidade Judiciária, está acabando com tudo aqui", disse. LEIA TAMBÉM Prefeitura de Campinas adia entrega do Palácio da Justiça para outubro de 2026 Segundo Vicente, o restaurante continua movimentado, mas clientes agora demonstram receio e preferem aguardar o transporte por aplicativo dentro do estabelecimento, por exemplo. Ele disse que, depois da pandemia, o restaurante passou a contar com segurança no local, medida que antes não era necessária. Os funcionários do estabelecimento também passaram a tomar mais cuidados na saída do trabalho. Para Vicente, o aumento de imóveis fechados e a presença de pessoas em situação de rua contribuíram para a sensação de abandono da região. Apesar do cenário descrito pelos comerciantes, eles afirmam que o Centro ainda tem potencial. Para Denis Iazdi, no entanto, qualquer mudança efetiva depende da retomada do fluxo de pessoas. “Não é dinheiro que o comerciante precisa. É cliente. Se não vende, não compra”, afirmou. Pessoas em situação de vulnerabilidade no centro de Campinas Reprodução EPTV O que diz a prefeitura? Leia, na íntegra, a nota da Prefeitura de Campinas sobre os problemas apontados: "- A Guarda Municipal realiza rondas 24 horas no Centro com efetivo de 100 GMs. No primeiro trimestre deste ano, a GM atendeu 2.452 ocorrências e efetuou 53 prisões na região. Dados da Secretaria Estadual de Segurança Pública indicam queda nos crimes contra o patrimônio nos primeiros meses do ano, com redução de roubos e furtos na comparação com o mesmo período do ano anterior; - A região central é monitorada por câmeras conectadas ao Centro Integrado de Comando e Controle, além da atuação conjunta das forças policiais do município com as polícias civil e militar; - Foi realizada modernização da iluminação em mais de 1,5 mil pontos no Centro que receberam lâmpadas de LED, mais eficientes e sustentáveis; - Os serviços de limpeza ocorrem diariamente em três turnos. As equipes fazem a coleta de resíduos dos contêineres e 44 varredores atuam em 16 setores e atendimento a 6 praças. Ruas e espaços públicos são lavados seis vezes por semana. Também são realizadas limpeza e desobstrução de bocas de lobo e reparos nas calçadas públicas; - Entre este domingo e a próxima terça-feira, a Prefeitura promove um mutirão de zeladoria no Centro, com ações de roçagem de mato, lavagem e varrição das ruas, tapa-buracos, cata-treco, reconstituição de floreiras, reparos no calçadão da 13 de Maio entre outros serviços; - O Programa Nosso Centro já realizou a revitalização e/ou reocupação, com novos usos, de prédios históricos como o Palácio da Cidade, Centro de Convivência Cultural, Prédio do Relógio e o antigo Hotel Opala; - A avenida Glicério e as ruas Campos Salles e José Paulino foram requalificadas. No Centro expandido, a Delfino Cintra teve um trecho modernizado e a próxima via a receber melhorias é a rua Thomaz Alves. O Terminal Mercado foi reformado. A Praça Bento Quirino recebeu novos mobiliários e a recuperação do monumento Carlos Gomes. O Largo do Rosário e Praça Guilherme de Almeida receberam novos bancos, lixeiras e floreiras. Iniciada a construção do piscinão da Praça da Ópera, para a prevenção de alagamentos; - Ainda como parte do Nosso Centro, há programas de incentivos fiscais e urbanísticos para promover a ocupação de imóveis. O Retrofit isenta ou reduz impostos como IPTU e ITBI para quem reformar prédios antigos. Dez prédios já foram contemplados. O Procentro reduz a alíquota do ISSQN para diversas atividades para manter as empresas na área central, atrair novas e estimular a expansão de outros setores. Uma das empresas que está vindo para Campinas e vai se instalar na Costa Aguiar é a Armarinhos Fernando; - Nos últimos anos não houve aumento do IPTU, apenas a correção da UFIC pela inflação; - São realizadas abordagens das pessoas em situação de rua todos os dias para convencê-las a deixarem as ruas. Em 2026, já foram realizadas 1.554 abordagens e 228 atendimentos de pessoas no Centro. Em 2025, 285 voltaram às suas cidades de origem pelo Programa Recâmbio, média de 32 por mês; - As ações envolvem diversas secretarias municipais, empresas públicas e órgãos estaduais e federais." VÍDEOS: tudo sobre Campinas e região Veja mais notícias sobre a região no g1 Campinas

FONTE: https://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/noticia/2026/04/25/situacao-critica-como-comercios-tradicionais-se-adaptam-e-resistem-no-centro-de-campinas.ghtml


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