Suspeito de matar idoso em Piracicaba era acolhido na casa da vítima e vendeu objetos roubados depois do crime, diz polícia
31/03/2026
(Foto: Reprodução) Morte de idoso em Piracicaba: Imagens revelam movimentação antes e depois do crime na rua
O carroceiro Pedro Custódio, de 61 anos, vítima de latrocínio dentro de casa em Piracicaba (SP), na madrugada do último dia 19 de março, era conhecido por ajudar pessoas em situação de rua. Segundo investigação da Polícia Civil, o idoso foi morto por um homem que abrigava na própria residência, no bairro Algodoal, com golpes de enxada.
A delegada responsável pelo caso, Juliana Ricci, afirmou que a intenção do suspeito foi matar o idoso para roubar seus pertences. Veja mais detalhes, abaixo, na reportagem.
A EPTV, afiliada da Globo para Piracicaba e região, conversou com familiares da vítima, que também confirmarem que ele tinha o costume abrigar pessoas em situação de rua.
Carroceiro é morto com golpes de enxada em Piracicaba
Reprodução/EPTV
'Ajudava todo mundo', diz neta sobre o avó
A neta do idoso, conhecido como Pedrão da Carroça, mora a 80 km de distância da casa do familiar. Ela disse que o avó costuma abrigar pessoas sem um lar para morar.
"Ele ajudava todo mundo que precisasse de moradia. Ele e minha avó sempre foram assim, acolhiam todo mundo. Era uma pessoa boa. É triste. Nunca estamos preparados para uma perda, ainda mais desse jeito brutal", lamentou a neta Bruna Bonafé.
Câmeras de segurança
Câmeras de segurança registraram a última vez que o idoso foi visto com vida na esquina de casa, bem como movimentação de suspeitos após o crime.
As imagens foram fundamentais para traçar os últimos momentos de Pedro com vida e monitorar a movimentação dos suspeitos entrando e saindo da casa após o assassinato.
O suspeito que estava abrigado na casa do idoso roubou pertences da vítima e chegou a vendê-los para terceiros.
Depois de ter roubado a bicicleta da vítima, o suspeito retornou ao imóvel com outras pessoas e levou outras bicicletas, além um botijão de gás e outros pertences.
Suspeito
O suspeito, de 30 anos e identificado como Diego Felipe Lobo de Barros, foi preso no último dia 21, por tráfico de drogas, e depois as investigações identificaram sua ligação com o latrocínio (roubo seguido de morte). O g1 não conseguiu localizar sua defesa.
Segundo a delegada Juliana Ricci, a apuração tomou como base as imagens das câmeras de segurança — assista ao vídeo acima.
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Pelas filmagens, foi possível traçar uma linha do tempo do crime, que teria ocorrido na madrugada do dia 19, na casa da vítima. O suspeito teria retornado à residência quase 24 horas depois e pegado pertences do idoso, que estava morto. Confira abaixo o que foi identificado nas imagens.
19/3 - 3h12: Pedro anda pela rua, perto de sua casa. É o último registro dele vivo.
19/3 - 4h32: o suspeito deixa a residência com a bicicleta da vítima.
20/3 - 1h29: Diego volta à residência, a pé, com a mesma roupa. Ele aparece na rua, acompanhado de outras três pessoas.
20/3 - 2h44: o suspeito aparece na rua com outra bicicleta de Pedro e usando uma blusa moletom da vítima. Outra bicicleta e um botijão de gás, ambos de propriedade do idoso, são vistos com outro homem.
Apesar de outras pessoas aparecerem nas filmagens, Juliana afirma que apenas Diego teria, de fato, entrado na casa e que ele é o único suspeito do latrocínio.
Segundo ela, ficou clara a intenção de matar a vítima para, depois, roubar os pertences dela, que depois teriam sido vendidos pelo suspeito.
‘Grau de perversidade alto’
A delegada Juliana Ricci, de Piracicaba (SP)
Reprodução/EPTV
“É uma pessoa que apresenta um grau de perversidade alto, um grau de periculosidade alto, perigo para a sociedade, por isso foi pedida a prisão temporária dele, que foi decretada pela Justiça”, disse, em entrevista à EPTV, afiliada da Rede Globo.
De acordo com a delegada, há pessoas que, em contato com a polícia, já confessaram ter comprado os itens roubados, mas sem saber que o dono deles tinha sido morto.
“Estamos avaliando o preço do que foi vendido. Se o preço for muito aquém do que é negociado, (essas pessoas) podem responder pelo crime de receptação, mas não pelo crime de latrocínio, que é o roubo seguido de morte”, afirmou.
O crime
Pedro Custódio foi encontrado pela Polícia Militar já sem vida, na manhã do dia 20, após a corporação ser acionada pela família, que não recebia notícias de seu avô há dois dias.
Ele tinha ferimentos na cabeça, causados principalmente por golpes com o cabo da enxada, e seu corpo estava coberto de roupas sujas. Também havia sangue espalhado pela casa, que estava bagunçada, com objetos revirados.
De acordo com a família, Pedro costumava ajudar pessoas em situação de rua e permitia que algumas delas ficassem em sua casa. As investigações apontam que Diego teria sido uma dessas pessoas ajudadas.
Neta de Pedro, Bruna Bonafé lamentou a forma “brutal” que perdeu seu avô.
"A gente nunca está preparado para a perda, ainda mais desse jeito", disse, em entrevista à EPTV.
Apesar da prisão do suspeito, as investigações continuam, segundo Juliana, que ainda aguarda laudos para maior aprofundamento nas cincustâncias do crime.
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