Técnica é atacada e ameaçada em polo de saúde na Terra Yanomami; Ministério retira equipe do local
06/02/2026
(Foto: Reprodução) Profissional ficou ferida nas mãos, nos braços e nas pernas, após ataque nesta quinta-feira (5)
Reprodução
Uma técnica de enfermagem de 31 anos foi atacada e ameaçada de morte por um homem ainda não identificado, dentro do Polo Base Missão Catrimani, na terra indígena Yanomami, em Caracaraí, Sul de Roraima.
O caso ocorreu nesta quinta-feira (5) e foi registrado como tentativa de estupro. Ninguém foi preso.
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Após o ataque, o Ministério da Saúde determinou a retirada preventiva de toda a equipe que atuava no Polo Base Missão Catrimani. Em nota, a pasta informou que a Secretaria de Saúde Indígena (Sesai) está prestando o apoio necessário à profissional atacada, repudiou o ato de violência e cobrou a apuração rigorosa do caso.
O g1 solicitou um posicionamento da Polícia Civil e aguarda retorno.
A vítima relatou à polícia que saía do quarto em direção à cozinha para jantar, por volta das 19h, quando foi surpreendida pelo agressor. O homem tapou a boca e o nariz da mulher e sussurrou ameaças no ouvido dela, afirmando: "Cala a boca, que agora eu vou cortar o teu pescoço".
A profissional reagiu e conseguiu empurrar o suspeito. Ela tentou correr, mas foi derrubada e caiu no chão. Segundo o relato, o homem avançou sobre ela mais uma vez, momento em que a vítima gritou por socorro.
Dois dentistas e um enfermeiro que estavam na cozinha próxima ao local do ataque correram até a vítima. Ao perceber a aproximação das testemunhas, o agressor fugiu e não foi mais visto.
Agentes da Força Nacional que estavam na região realizaram rondas para tentar localizar o suspeito, mas ninguém foi preso. A vítima informou que não conseguiu ver o rosto do autor, mas disse ter identificado que se tratava de um indígena pelo tom de voz.
A técnica de enfermagem sofreu lesões no joelho esquerdo, na mão, no abdômen e no cotovelo devido à luta corporal. O caso foi registrado na Polícia Civil como tentativa de estupro.
A presidente do Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Privados de Roraima (Siemesp-RR), Joana Gouveia, informou que a entidade prestou apoio jurídico e psicológico à vítima desde a chegada dela em Boa Vista.
Ela foi atendida no Hospital Geral de Roraima (HGR), fez exame de corpo de delito no Instituto de Medicina Legal (IML) e registrou a ocorrência na Polícia Federal. O sindicato planeja formalizar denúncias no Ministério do Trabalho e na Justiça do Trabalho.
Nesta sexta-feira (6), o ministério se reuniu com a Casa de Governo e a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) para definir estratégias de segurança que permitam o reestabelecimento dos serviços de saúde na região, evitando a desassistência às comunidades. O diálogo também deve envolver lideranças locais.
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