Terra Yanomami tem surto de coqueluche entre crianças e Saúde de Boa Vista emite alerta

  • 20/02/2026
(Foto: Reprodução)
Coqueluche mata 3 crianças na Terra Indígena Yanomami A Terra Indígena Yanomami enfrenta um surto de casos de coqueluche desde o início deste ano. Até esta sexta-feira (20), havia oito casos confirmados da doença, conforme boletim epidemiológico do Hospital da Criança Santo Antônio, ao qual o g1 teve acesso. O Ministério da Saúde informa três mortes causadas pela doença. No entanto, a Urihi, associação indígena que atua em Surucucu, contesta o dado e afirma que, ao todo, cinco crianças morreram. Atualmente, a unidade tem 13 crianças internadas por suspeita de coqueluche. A informação foi divulgada pelas associações Yanomami Urihi e Hutukara. Nesta quinta (19), os líderes Dário Kopenawa e Waihiri Hekurari estiveram no hospital em busca de informações sobre a real situação. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 RR no WhatsApp A maioria dos casos confirmados foi registrada na região de Surucucu, no município de Alto Alegre, nas comunidades de Aracik, Sétimo Bis, Watho-u, Xiotho-u e Yarima. Além disso, a maior parte dos casos confirmados ocorreu em bebês menores de 1 ano, faixa etária mais vulnerável às complicações da coqueluche. 👉 A coqueluche, também conhecida como "tosse comprida", é uma infecção respiratória altamente contagiosa causada pela bactéria Bordetella pertussis. Os sintomas são crises de tosse seca e intensa que podem levar ao vômito, sendo mais grave em bebês menores de seis meses, onde pode causar complicações sérias e, por vezes, a morte. A prevenção é feita principalmente pela vacinação. No dia 13 de fevereiro, a Secretaria Municipal de Saúde de Boa Vista, responsável pelo Hospital da Criança — unidade para onde as crianças indígenas são levadas quando estão em estado grave — emitiu alerta para que as equipes reforcem as medidas de vigilância epidemiológica nos serviços de saúde. Diante da situação no território, a Secretaria de Saúde Indígena (Sesai), órgão do Ministério da Saúde, informou que tem feito busca ativa de possíveis casos em comunidades Yanomami desde a segunda (16), cinco dias após o alerta. Segundo o Ministério, desde então, "foram realizados 229 atendimentos, com mais de 70 indígenas vacinados." Criança indígena Yanomami internada nos hospital em Boa Vista Emmily Melo/Hutukara Associação Yanomami/Divulgação Situação no hospital em Boa Vista Quando o quadro clínico se agrava no território, indígenas são removidos das comunidades para hospitais na capital. Esse é o caso das crianças atendidas no hospital da Criança. Em algumas situações, o primeiro atendimento ocorre no Centro de Referência de Saúde Indígena de Surucucu, unidade inaugurada em 2025 que atende 12 regiões e reúne quase 200 comunidades. Diante do avanço da doença as lideranças Dário Kopenawa e Waihiri Hekurari classificam que o cenário é preocupante. Na visita ao hospital, eles tiveram acesso ao boletim epidemiológico atualizado e percorreram os setores de internação indígena. "Estamos perdendo crianças recém-nascidas por uma doença que poderia ser evitada. É muito triste e revoltante ver nossos bebês internados e morrendo. Precisamos de vacinação urgente em toda a Terra Yanomami", afirmou Dário. Segundo ele, as associações indígenas também buscam entender como a doença chegou às comunidades. "Sem uma ação rápida, outras doenças podem aparecer. As crianças Yanomami precisam ser protegidas”, defendeu. Waihiri Hekurari, que é da região de Surucucu, defende que o Ministério da Saúde seja transparente em relação aos dados de coqueluche. "Se não acompanharmos essa situação, muitas crianças podem morrer e os números podem ser maquiados novamente. Por isso, seguimos monitorando o cenário, já que, mais de uma vez, vidas foram perdidas por falhas e pela falta de planejamento vacinal no território Yanomami". Dario Kopenawa e Waihiri Hekurari visitando criança internada com coqueluche em Boa Vista Emmily Melo/Hutukara Associação Yanomami LEIA TAMBÉM: Crianças morrem de coqueluche na Terra Yanomami e associação cobra ação do Ministério da Saúde O que é coqueluche? Aumento de casos da doença no Brasil e no mundo reforça importância da vacinação Dsei-Y diz que acompanha Em nota divulgada nessa terça, o Ministério da Saúde informou que todas as pessoas com suspeita de coqueluche e os contatos próximos dos pacientes estão em tratamento e sendo acompanhados pelas equipes médicas. A situação é acompanhada pelo Distrito Sanitário Especial Indígena Yanomami (Dsei-Y), em Boa Vista. Ainda de acordo com o Ministério, foi enviada uma equipe, de forma emergencial, ao território. A equipe inclui um médico, técnico de enfermagem, enfermeiro e socorrista que devem atuar na unidade de Surucucu. Atualmente, há um bebê Yanomami de três meses internado no Hospital da Criança Santo Antonio, em Boa Vista, segundo a prefeitura da capital, responsável pela unidade. Não há casos em UTI. Além disso, há outras duas crianças não indígenas com coqueluche no hospital. Em 2024, não houve crianças internadas com coqueluche. Em 2025, foram registrados 8 casos confirmados de internação por coqueluche no hospital. "Foi emitido um alerta epidemiológico no dia 13 de fevereiro. O documento tem como intuito reforçar as medidas de vigilância epidemiológica nos serviços de saúde", informou a secretaria Municipal de Saúde. O presidente da Urihi, Waihiri Hekurari Yanomami, afirmou que as mortes comprovam que a emergência sanitária Yanomami continua. "A avaliação é de que, sem acompanhamento, mais crianças podem morrer. As vítimas são, em sua maioria, bebês com poucos meses de vida. A emergência sanitária na região continua", afirmou Hekurari. Terra Yanomami Lideranças denunciam garimpos ativos e falhas graves na saúde Yanomami Localizada no Amazonas e em Roraima, a Terra Indígena Yanomami tem quase 10 milhões de hectares. No território vivem mais de 31 mil indígenas, distribuídos em 370 comunidades. O povo Yanomami se divide em seis subgrupos linguísticos da mesma família: Yanomam, Yanomamɨ, Sanöma, Ninam, Ỹaroamë e Yãnoma. O território está em emergência de saúde desde janeiro de 2023, quando o governo federal, após a posse do presidente Lula (PT), iniciou ações para atender os indígenas, como o envio de profissionais de saúde e de cestas básicas, além do reforço das forças de segurança na região para frear o garimpo ilegal. Indígena Yanomami internada no Hospital da Criança em Boa Vista Emmily Melo/Hutukara Associação Yanomami/Divulgação Leia outras notícias do estado no g1 Roraima.

FONTE: https://g1.globo.com/rr/roraima/noticia/2026/02/20/terra-yanomami-tem-surto-coqueluche-entre-criancas-e-saude-de-boa-vista-emite-alerta.ghtml


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