Trump amplia importação de carne argentina em 80 mil toneladas para tentar frear preços nos EUA

  • 07/02/2026
(Foto: Reprodução)
Preço da carne em um supermercado em Los Angeles, em 27 de maio de 2022. Reuters O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta sexta-feira (6) um decreto para elevar temporariamente as importações de carne bovina argentina com tarifas reduzidas. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça O texto determina um aumento de 80 mil toneladas métricas na cota de importação do produto em 2026. A medida vale apenas para aparas magras de carne bovina especificamente do país sul-americano. 🥩 As aparas magras são retalhos menores de carne com baixo teor de gordura. Os pedaços geralmente sobram do processo de desossa e corte de peças maiores do boi. A nova decisão, que tem o objetivo de baratear o alimento, e ocorre em meio às críticas ao governo Trump pelo avanço do custo de vida, tema que ajudou a impulsionar vitórias eleitorais de candidatos democratas em 2025. Veja os vídeos em alta no g1: Veja os vídeos que estão em alta no g1 Os preços da carne bovina atingiram níveis recordes nos EUA no ano passado, impulsionados pela forte demanda e pela queda na oferta de gado. O cenário beneficiou os pecuaristas — que em grande parte apoiaram Trump — mas aumentou a pressão sobre os consumidores. "Como Presidente dos EUA, tenho a responsabilidade de garantir que trabalhadores americanos consigam alimentar a si e suas famílias", disse Trump em seu decreto. Segundo o republicano, a medida foi tomada após conversas com o secretário de Agricultura americano e tem o objetivo de aumentar a oferta de carne moída para os consumidores dos EUA. Economistas ouvidos pela agência Reuters, porém, afirmam que o aumento das importações do produto argentino deve ser incapaz de reduzir de forma significativa os custos aos americanos. Quem tende a se beneficiar, na verdade, são as empresas de alimentos. Enquanto isso, os representantes do setor pecuário — que já haviam se manifestado contrários a decisões semelhantes — criticaram a medida. “Em vez de importações que prejudicam pecuaristas americanos, deveríamos focar em soluções que reduzam a burocracia, diminuam custos de produção e apoiem a expansão do nosso rebanho”, disse a senadora republicana Deb Fischer, de Nebraska, um importante estado produtor de gado. Ao todo, os EUA importaram cerca de 33 mil toneladas métricas de carne bovina argentina em 2024, o que representou 2% das importações totais, segundo dados do governo. Acordo comercial e exploração de minerais críticos Na quinta-feira (5), os EUA e a Argentina assinaram um acordo comercial com previsão de redução de tarifas e um plano recíproco de investimentos. O entendimento também abrange materiais críticos, em linha com a estratégia de Trump de reduzir a dependência da China — hoje dominante na produção e no refino desses insumos essenciais para tecnologia, energia e defesa. Segundo o texto, haverá cooperação e investimentos dos EUA em toda a cadeia do setor na Argentina — da exploração ao refino, processamento e exportação. O embaixador norte-americano e negociador comercial Jamieson Greer anunciou o acordo após reunião com o ministro das Relações Exteriores, do Comércio Internacional e do Culto da Argentina, Pablo Quirno. “O aprofundamento da parceria entre o presidente Trump e o presidente Milei serve como um modelo de como os países das Américas, do Alasca à Terra do Fogo, podem avançar em nossas ambições compartilhadas e proteger nossa segurança econômica e nacional”, afirmou Greer. Ainda segundo o representante comercial americano, o acordo "reduz barreiras comerciais de longa data e oferece acesso significativo ao mercado para exportadores" dos EUA. A expectativa, acrescentou, é expandir negócios que vão de veículos automotores a produtos agrícolas. O documento divulgado pelo governo dos EUA indica que o acordo não entra em vigor no momento da assinatura. Ele passa a valer 60 dias após a troca de notificações por escrito confirmando a conclusão dos trâmites legais internos — ou em outra data que os países acordarem. Após passar a valer, o acordo prevê que a Argentina zere tarifas ou as reduza para cerca de 2% em milhares de produtos dos EUA, além de abrir cotas isentas para itens estratégicos, como 80 mil toneladas de carne bovina e 10 mil veículos. Em contrapartida, os EUA eliminarão tarifas para produtos agrícolas argentinos selecionados e limitarão eventuais sobretaxas a um teto de 10% sobre os demais bens. A abertura comercial também prevê o fim da taxa estatística argentina — uma cobrança sobre importações para custear serviços aduaneiros — em até três anos. As reduções tarifárias serão graduais, aplicadas todos os anos em 1º de janeiro. Em nota oficial, o governo de Javier Milei comemorou o acordo e afirmou que o texto consolida uma “relação estratégica” entre os países, baseada na abertura econômica, em regras claras para o intercâmbio internacional e “em uma visão moderna da complementaridade comercial”. "A assinatura deste acordo, alcançada graças à visão de abertura e de integração regional do Presidente Javier G. Milei, e à sua excelente relação com o Presidente dos Estados Unidos, Donald J. Trump, é mais um pilar que permite que hoje a Argentina volte a ser parte do mundo ocidental", diz o comunicado. Outros investimentos Além dos minerais críticos, o Acordo entre os Estados Unidos e a República Argentina sobre Comércio Recíproco e Investimento (ARTI) amplia o acesso de investimentos americanos a outros setores estratégicos da economia argentina. Entre eles: Energia: com facilitação de aportes em toda a cadeia, da exploração e produção ao refino, transporte e geração elétrica, com foco em segurança energética e industrialização. Infraestrutura: com investimentos em telecomunicações, transporte e logística, incluindo construção naval e navegação. Tecnologia e comunicações: com abertura para aportes em infraestrutura de informação e comunicação, como redes 5G e 6G, satélites e cabos submarinos. Bens de capital: com facilitação da entrada de máquinas e equipamentos, inclusive usados e remanufaturados, para construção, agricultura, mineração e saúde. Defesa: com simplificação e ampliação do comércio e da cooperação industrial no setor. Financiamento: com possibilidade de apoio de agências dos EUA, como EXIM Bank e DFC, em parceria com o setor privado. Conversas com o Brasil A Reuters revelou que o Brasil participou de uma reunião nos EUA, na quarta-feira (4), na qual o vice-presidente norte-americano, J.D. Vance, apresentou planos para reunir aliados em um bloco comercial de minerais críticos. O governo brasileiro ainda avalia se irá integrar o grupo, apurou a agência. O Itamaraty confirmou à Reuters que o Brasil esteve presente no encontro por meio da Embaixada em Washington, mas não informou se o país poderá aderir à iniciativa nem como se daria uma eventual participação. Uma fonte do governo brasileiro afirmou à agência que o país está aberto a parcerias, desde que tragam valor agregado. Segundo essa fonte, pela dimensão do tema, a questão precisa ser tratada de forma bilateral, e uma decisão não será tomada rapidamente.

FONTE: https://g1.globo.com/economia/noticia/2026/02/07/trump-carne-argentina.ghtml


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