Trump diz que libertação de prisioneiros na Venezuela é 'sinal de paz' e que cooperação de Delcy o fez cancelar 2ª onda de ataques
09/01/2026
(Foto: Reprodução) Trump afirma que cancelou a segunda etapa de ataques prevista na Venezuela
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elogiou nesta sexta-feira (9) a libertação de prisioneiros políticos pelo governo interino da Venezuela, que chamou de "um sinal de paz".
Trump disse também que a cooperação da gestão da nova presidente, Delcy Rodriguez, fez ele cancelar uma 2ª onda de ataques que faria ao país. Na 1ª onda, no último final de semana, o Exército dos EUA entrou em Caracas em uma operação militar pontual para prender o Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores. Ao todo, 100 pessoas morreram, segundo o governo venezuelano.
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"A Venezuela está libertando um grande número de presos políticos como um sinal de que está 'buscando a paz'. Este é um gesto muito importante e inteligente. Os EUA e a Venezuela estão trabalhando bem juntos, especialmente no que diz respeito à reconstrução, em uma escala muito maior, melhor e mais moderna, de sua infraestrutura de petróleo e gás, afirmou Trump em publicação nas redes sociais.
A libertação dos presos políticos foi anunciada na quinta-feira pelo presidente da Assembleia Nacional venezuelana, Jorge Rodríguez, que pediu para que o mundo interpretasse como um gesto de boa vontade do novo governo. (Leia mais abaixo)
"Em razão dessa cooperação, cancelei a segunda onda de ataques [à Venezuela] que estava prevista, porque ao que tudo indica ela não será necessária. No entanto, todos os navios ermanecerão posicionados por motivos de segurança", completou Trump.
A ativista venezuelana Rocío San Miguel, presa pelo regime de Maduro, em imagem de arquivo
Fernando Llano/ AP
Os prisioneiros políticos começaram a ser libertados na Venezuela ainda na quinta-feira. Até o momento, entre as pessoas mais notáveis estão a ativista venezuelana-espanhola Rocío San Miguel e o ex-candidato à presidência Enrique Márquez.
Trump disse ainda que "pelo menos US$ 100 bilhões (cerca de R$ 540 bi)" serão investidos pela indústria petroleira na Venezuela e que se encontrará com executivos do setor na Casa Branca nesta sexta.
Nas últimas horas, o presidente dos EUA voltou a dizer que o país começará "em breve" ataques por terra a cartéis do tráfico de drogas, porém sem especificar onde e contra quais. No entanto, ele disse que "os cartéis estão controlando o México, é muito triste ver o que aconteceu com aquele país".
Libertação de prisioneiros políticos
Líder chavista Jorge Rodríguez anuncia libertação de prisioneiros na Venezuela
As libertações dos prisioneiros políticos mantidos em prisões na Venezuela desde o regime Maduro são uma reivindicação frequente da oposição do país. A ação foi anunciada na quinta-feira (8) pelo presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Jorge Rodríguez, um dos líderes do chavismo.
Segundo Rodríguez, as libertações são um gesto de paz e um gesto unilateral por parte do governo interino, e envolvem "um número significativo de venezuelanos e estrangeiros".
O deputado é irmão da presidente Delcy Rodríguez, que assumiu o cargo após o sequestro de Nicolás Maduro pelos EUA, no último sábado (3).
Em conversa com jornalistas, Rodríguez agradeceu aos esforços do ex-premiê espanhol José Luis Rodríguez Zapatero, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao regime do Qatar, "que sempre estiveram ao lado do povo da Venezuela para defender o direito que temos à vida plena e à autodeterminação". Ainda não se sabe se as negociações para as libertações envolveram o presidente Lula, o governo brasileiro ou algum outro ator político mencionado.
A ativista venezuelana Rocío San Miguel, que também tem nacionalidade espanhola, foi libertada da prisão ainda na quinta-feira (8). Ela estava detida desde 9 de fevereiro de 2024. A soltura foi confirmada pelo governo espanhol.
Especialista em temas militares e diretora da ONG Control Ciudadano, Rocío foi detida após ser vinculada pelas autoridades com um suposto plano para assassinar o presidente Nicolás Maduro. Ela era mantida no Helicoide, a temida prisão do serviço de inteligência que organizações de direitos humanos classificam como "centro de tortura".
Outro opositor que deve sair da prisão é o ex-candidato à Presidência Enrique Márquez, detido desde o início de 2025.