UE vai incluir Guarda Revolucionária do Irã em lista de organizações terroristas, diz chefe da diplomacia
29/01/2026
(Foto: Reprodução) Os protestos deixaram milha de mortos no Irães
REUTERS
A União Europeia (UE) vai incluir a Guarda Revolucionária do Irã na lista de organizações terroristas, afirmou nesta quinta-feira (29) a chefe de diplomacia do bloco, Kaja Kallas.
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Segundo Kallas, alta representante da UE para Relações Exteriores, o bloco europeu também deve aplicar sanções a pessoas que "praticaram violência contra manifestantes no país". Ela disse esperar que as medidas não afetem a diplomacia com o Irã.
"Estamos impondo novas sanções ao Irã e também prevejo que incluiremos a Guarda Revolucionária Islâmica em nossa lista de organizações terroristas. Isso os colocará no mesmo patamar que a Al-Qaeda, o Hamas e o Daesh. (...) Se você age como terrorista, também deve ser tratado como terrorista”, disse Kallas.
A Guarda Revolucionária Islâmica é uma força militar de elite e paralela ao Exército iraniano e é a mais poderosa do país. Criada após a Revolução Islâmica de 1979, a Guarda serve como "braço direito" do regime do aiatolá Ali Khamenei. Leia mais aqui.
As medidas foram anunciadas após as mortes de milhares de manifestantes em atos contra o regime Khamenei e em meio a uma escalada de pressão e militar dos Estados Unidos contra o Irã —o que deixou os dois países à beira de uma guerra.
A repressão aos protestos no Irã —com relatos de que policiais e militares executaram manifestantes nas ruas do país—, gerou indignação mundial (leia mais abaixo). O número de mortos não para de aumentar, e ao menos seis mil pessoas morreram, segundo ativistas. O presidente dos EUA, Donald Trump, aproveitou o momento para reativar as tensões com os iranianos e ameaçar fazer ataques militares no país do Oriente Médio.
Mortes em protestos no Irã chegam a 5 mil
Os protestos
Segundo a agência de notícias Reuters, 5 mil pessoas morreram em decorrência da violência durante a onda de protestos no Irã.
➡️ Iranianos protestaram por mais de 20 dias em manifestações que começaram por conta da crise econômica e do alto custo de vida no país do Oriente Médio. No final, os atos terminaram pedindo o fim do regime dos aiatolás, que governam o Irã há mais de 40 anos com duras leis de repressão, principalmente às mulheres.
O governo iraniano nega e diz que as mortes de civis e agentes de segurança são causadas pelos próprios manifestantes, que incitam a violência. Teerã acusa os Estados Unidos de infiltrar agentes nos protestos.
O líder supremo, Ali Khamenei, condenou os protestos e disse que as autoridades de seu país "têm a obrigação de quebrar as costas dos insurgentes". Ele culpou ainda Donald Trump pelas mortes ocorridas durante a repressão.
"Não pretendemos levar o país à guerra, mas não perdoaremos os criminosos domésticos (...) assim como não perdoaremos os criminosos internacionais, piores que os domésticos", disse a uma multidão de apoiadores reunidos por ocasião de uma festividade religiosa.
"A nação iraniana deve quebrar as costas dos insurgentes, da mesma forma que quebrou a insurreição", acrescentou.