Vorcaro usou o próprio advogado e procurador de São Luís em rede para comprar ações do BRB
06/02/2026
(Foto: Reprodução) A auditoria que embasou a abertura do inquérito que apura suspeita de gestão fraudulenta na gestão passada do BRB revelou o complexo caminho do dinheiro até a compra de ações.
PF abre inquérito pra investigar suspeita de gestão fraudulenta no BRB
Segundo documentos a que o blog teve acesso, além de fundos, o dono do Master, Daniel Vorcaro, se valeu de seu próprio advogado na complexa rede para dificultar o rastreamento de que era ele, Vorcaro, o acionista do BRB.
Em uma das operações, um fundo chamado Delta – administrado pelo Banco Master – adquiriu ações do BRB e as revendeu a Daniel Monteiro, advogado de Vorcaro. Para realizar a operação, Monteiro fez um empréstimo com outra empresa, a Cartos, também investigada pela PF.
Já outro fundo, o Borneo, revendeu parte de suas ações do BRB a Monteiro – que, novamente, fez empréstimos junto à Cartos para obter o dinheiro – e outra parte a um fundo administrado pelo Banco Master, o Celeno. O Celeno, por sua vez, revendeu as ações para João Carlos Mansur, ex-executivo da gestora Reag.
Reag e Banco Master: como a gestora entrou no radar das investigações da PF?
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master
Banco Master
Procurador
Em outra frente da compra pulverizada de ações do BRB, Vorcaro se valeu do advogado e procurador do município do Maranhão, Daniel de Faria Jeronimo Leite.
Neste caso, o fundo Asterope, administrado pelo Master, adquiriu ações do BRB e as revendeu ao procurador municipal. Para obter os recursos, Leite realizou operação de crédito junto à Qista, empresa de crédito vinculada à Reag.
Em paralelo, o Asterope também vendeu ações do BRB a outro fundo, o Albali – este pertencente ao ex-sócio do Banco Master, Mauricio Quadrado.
O BRB identificou que Vorcaro também adquiriu ações da instituições por meio de outra empresa, a Titan, que comprou ações do banco brasiliense de outros fundos.
A Polícia Federal investiga se, de fato, as compras envolveram algum desembolso ou se apenas fizeram circular um dinheiro que já existia em fundos e operadoras de empréstimos ligadas a Vorcaro, Quadrado e Mansur, no chamado "fluxo de operações circulares".
Nesta sexta-feira (6), a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) criou um grupo de trabalho para analisar informações relacionadas ao conglomerado Master, à Reag e a outras entidades conectadas ao caso.
CVM cria grupo para analisar informações sobre Banco Master, Reag e entidades ligadas ao caso
Investigações
As operações foram informadas ao Banco Central em abril do ano passado – um mês após o anúncio de que o BRB queria comprar o Master. A PF suspeita de um esquema do tipo "pirâmide"’ dentro do sistema financeiro, e vê uma coincidência com o calendário da tentativa de o BRB adquirir o Banco Master.
Isto porque o BRB anunciou em março de 2025 a aquisição de 58% do Master – as aquisições de ações do BRB pelos fundos e pessoas ligados a Vorcaro começou no mês seguinte, em abril.
A PF suspeita que Vorcaro, ao tentar vender o Master e comprar ações no BRB, queria manter seu poder no banco que estava adquirindo sua antiga instituição.
Com as operações, ele tinha quase 5 % das ações, e ainda poderia comprar as ações dos outros dois e chegar a 12% – se tornando um sócio minoritário relevante.
Os investigadors querem saber porque Vorcaro e os outros investigados preferiram uma operação tão complexa e difícil de rastrear a uma compra direta de ações do BRB.
O que diz o BRB
Em nota sobre a abertura do inquérito, o BRB afirmou que a auditoria encontrou “achados relevantes que constam da primeira etapa do relatório”.
O banco declarou ainda que, “com o intuito de resguardar seus interesses, recuperar créditos e ativos e obter o ressarcimento de prejuízos causados por agentes relacionados à operação Compliance Zero, vem adotando inúmeras medidas institucionais, administrativas e extrajudiciais”.