Wagner Moura explica 'O Agente Secreto' a revista dos EUA: 'Vocês nunca viveram uma ditadura. Não sabem como é'
29/01/2026
(Foto: Reprodução) Wagner Moura é indicado ao Oscar de Melhor Ator
Indicado ao Oscar de melhor ator por “O Agente Secreto”, Wagner Moura deu falou sobre política, arte e democracia à revista americana "Variety". Ao comentar a trama dirigida por Kleber Mendonça Filho, o ator traçou paralelos entre a ditadura militar brasileira e o cenário atual de polarização nos Estados Unidos, alertando para os riscos do avanço do autoritarismo.
“Vocês nunca tiveram a experiência de viver sob uma ditadura. Não sabem o que é isso”, afirmou.
No longa, Moura interpreta Armando, um ex-professor perseguido durante os anos 1970 que tenta fugir com o filho enquanto o regime militar brasileiro se torna mais violento.
Na entrevista, o ator destacou que o filme fala sobre como regimes autoritários se consolidam de forma gradual, muitas vezes diante da apatia da sociedade. Para ele, a produção nasceu das inquietações dele e do diretor sobre o papel dos artistas em momentos de crise política.
“Este é um filme que nasceu de como eu e Kleber nos sentíamos quando o Brasil estava sob esse tipo de governo fascista. De como nos sentíamos sobre nossos papéis como artistas”, disse o baiano.
Wagner Moura no Globo de Ouro
Etienne Laurent / AFP
Durante a entrevista, Moura também demonstrou preocupação com a fragilidade das democracias contemporâneas e a disseminação de desinformação.
Ele também atuou em "Guerra Civil", de 2024, uma distopia que imagina uma divisão política extrema que leva a um conflito interno nos EUA.
“O que mais me preocupa na humanidade hoje é que não existem mais fatos. Fatos não importam mais. A gente costumava brigar — esquerda e direita — a gente tinha discussões, mas brigávamos pela mesma coisa. Hoje em dia, não é sobre fatos. É sobre versões da verdade”, comentou. “A informação que chega ao seu feed é completamente diferente da informação que chega à sua mãe ou àquele cara do MAGA”, continuou.
Ele também defendeu que instituições precisam reagir com firmeza a ataques democráticos e disse ver com apreensão a falta de limites claros no debate público.
“Sinto que os Estados Unidos e suas instituições não estão respondendo com a firmeza adequada — estabelecendo limites, fazendo com que as pessoas enfrentem consequências", disse o baiano.